PARTE II
- Vejo que com tanta tecnologia, com tanta informação, com tanto conhecimento espalhado pelo mundo de vocês, vocês não aprenderam uma coisa.
- O que o senhor sabe que nós não sabemos? - Questiona o segundo visitante. - Não dá nem para comparar o grau evolucionário do senhor com o nosso.
- Calma! - Exorta o terceiro visitante. - O que é possível o senhor saber, que não seja do nosso conhecimento ?
Então o cientista respondeu:
- Uma coisa que vocês não adquiriram no futuro foi o conhecimento do passado, do contexto em que as coisas aconteceram.
- De que serve o contexto? Fatos são fatos. - Questiona o segundo visitante.
- Acredito que vocês conheçam o método "Ver, Julgar e Agir", pois se para o meu tempo já é velho, imagina para o tempo de vocês.
- Sim! - Responderam em uníssono.
- Mas vejo que vocês só conhecem a teoria dele, e não a prática.
- Que diferença faz? Temos métodos bem mais novos e sofisticados que botam esse método "Ver, Julgar e Agir" no chão. - Repondeu o primeiro visitante.
- Bem, o que eu tenho é este método hoje. E digo a vocês que se vocês tivessem "Visto" melhor o contexto da época, vocês teriam contruído um "Julgamento" mais justo da situação e, por conseguinte tomariam a melhor "Atitude" e talvez nem teriam aparecido aqui na minha casa para me interrogar como se eu fosse um criminoso. Se vocês tivessem usado os seus métodos novos e sofisticados corretamente, deveriam ter entendido o contexto no qual eu e o mundo nos encontrávamos há cinco anos.
- Continue. - Falou o terceiro visitante.
- Eu e o mundo não tínhamos toda essa tecnologia, informação e conhecimento que vocês têm hoje. Então é muito fácil para vocês me massacrarem por uma decisão errada que eu tomei há cinco anos, pois vocês são muito mais avançados do que eu. Exagerando um pouco, mas ainda assim sendo verdade, por que vocês não vão reclamar com o cara que descobriu o fogo? Por que vocês não chegam lá pra ele e perguntam por que ele não usou a água para se aquecer, e dessa forma evitar que o meu mundo sofresse com as queimadas?
- O fogo não serve só para aquecer. - Falou o segundo visitante.
- Como eu disse: Exagerando um pouco.
- Acredito que o senhor está certo. - Responde o terceiro visitante. - Então explique o contexto.
- Nós não tínhamos tecnologia, informação e conhecimento suficientes. Nós usamos as ferramentas que tínhamos na época. Foi o que deu pra fazer. Poderia haver uma ruptura entre a comunidade científica, por conta daquele pequeno grupo. Seria melhor mantermo-nos unidos e chegarmos a uma conclusão juntos, ao invés de nos dividirmos e nos enfraquecermos. Aquele grupo tinha outras idéias, além dessa, que já tinham sido vencidas há centenas de anos por outros cientistas. Então temia que essa idéia deles fosse mais uma de suas loucuras. Eles formavam um grupo pequeno, mas bastante forte, pois tinham entre eles pessoas de grande influência na sociedade. Tive que arriscar e torcer para que o seu número pequeno valesse mais que a capacidade de influenciar que eles tinham.
- Mas não é possível que a sua época seja tão vulnerável a esse tipo de coisa, ao ponto de que colocar o ser humano em perigo. - Responde o segundo.
- Bem-vindos ao meu tempo!
- Estou satisfeito. Por mim, podemos voltar. - Fala o terceiro visitante.
- Hummm. Eu ainda tenho alguns questionamentos. - Fala o segundo visitante.
- Eu me nego a aceitar isso. O senhor não poderia ter feito o que fez. - Fala o primeiro visitante.
- Não tenho o direito de errar? Mais ainda quando não tenho as ferramentas necessárias para acertar? - Pergunta o cientista. - O que posso fazer é pedir desculpas, mas sabendo que fiz o que fiz com as limitações da época.
- Não interessa o motivo! - Reclama o primeiro visitante.
- Dê-me uma equação bastante difícil do seu tempo. - Pediu o cientista.
O primeiro visitante escreveu-a no quadro.
To be continued...
quinta-feira, 15 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
Teu passado te condena - Parte I
Se para as pessoas você ficar descontextualizado, seu passado vai condenar você. E se você descontextualizar as pessoas, você conderará o passado delas.
Às vezes, nos martirizamos ou martirizamos outras pessoas pelos erros do passado: "Ah, eu deveria ter feito isso"; "Ah, você deveria ter feito aquilo"; "Ah" pra lá, "Ah" pra cá. A historinha abaixo (dividida em três partes para não ficar cansativo) nos ajuda a refletir o contexto de cada época vivida nas nossas vidas e na vida daqueles que nossos "olhos enxergam".
PARTE I
Certo dia, um famoso cientista recebe, em sua casa, uma visita de três homens. Eles se apresentaram como sendo do futuro e datavam já da sétima geração desse cientista. O cientista ficou perplexo, mas mesmo assim convidou-os para entrar.
- Então, o que os trouxe aqui na minha casa? O que os fez viajar sete gerações no tempo para me encontrar?
- Há alguns anos (do seu tempo) o senhor foi questionado sobre o universo. - Fala o primeiro visitante.
- Já fui questionado várias vezes sobre o universo. - Responde o cientista. - Você pode me dizer exatamente qual e quando foi o questionamento?
- Cinco anos atrás numa conferência mundial realizada na América Latina. - Respondeu o segundo visitante. - Havia ali cientistas do mundo todo tentando descobrir os mistérios do universo.
- Com certeza eu me lembro. Eu liderei aquela conferência. Mas continue. - Fala o cientista.
- Hoje, no futuro, já sabemos que o universo foi feito para toda a humanidade. Não há no universo outras formas de vida que se assemelhem à do homem. O que temos são só alguns micro-organismos. O universo foi feito para que o homem o dominasse por completo. - Falou o terceiro visitante.
- Sério?! - Se surpreende o cientista. - Uau! Eu não sabia que era assim! Eu pensava que...
Com um certo tom de raiva, o primeiro visitante interrompe a fala do cientista:
- Que era um absurdo pensar que o ser humano era o centro do universo. Que era muito egoísmo pensar que o universo foi feito só para o homem, e que deveriam existir seres extra-terrestres nele.
- Exatamente, mas por que a raiva?
- Porque naquela conferência o senhor refutou o argumento de alguns cientistas que pensavam justamente o contrário. - Repondeu o segundo visitante.
- Isso, mas ainda não entendo a raiva.
- No futuro nós fizemos um cálculo de causa-e-efeito invertido e, prevendo os efeitos no nosso tempo para o cálculo, nós chegamos até o senhor como causa. Nós identificamos que a humanidade seria bem mais evoluída do que é hoje, se naquela conferência o senhor não tivesse refutado aquele grupo minoritário de cientistas. Então gostaríamos de saber o motivo que levou o senhor a se opor ao argumento deles. - Clarificou com calma o terceiro visitante.
- Com tanta tecnologia, com tanta informação, com tanto conhecimento espalhado pelo nosso mundo, como o senhor foi capaz de se opor àqueles poucos homens? - Volta o primeiro com sua aspereza.
Então o cientista olhou para os três e disse:
To be continued...
Às vezes, nos martirizamos ou martirizamos outras pessoas pelos erros do passado: "Ah, eu deveria ter feito isso"; "Ah, você deveria ter feito aquilo"; "Ah" pra lá, "Ah" pra cá. A historinha abaixo (dividida em três partes para não ficar cansativo) nos ajuda a refletir o contexto de cada época vivida nas nossas vidas e na vida daqueles que nossos "olhos enxergam".
PARTE I
Certo dia, um famoso cientista recebe, em sua casa, uma visita de três homens. Eles se apresentaram como sendo do futuro e datavam já da sétima geração desse cientista. O cientista ficou perplexo, mas mesmo assim convidou-os para entrar.
- Então, o que os trouxe aqui na minha casa? O que os fez viajar sete gerações no tempo para me encontrar?
- Há alguns anos (do seu tempo) o senhor foi questionado sobre o universo. - Fala o primeiro visitante.
- Já fui questionado várias vezes sobre o universo. - Responde o cientista. - Você pode me dizer exatamente qual e quando foi o questionamento?
- Cinco anos atrás numa conferência mundial realizada na América Latina. - Respondeu o segundo visitante. - Havia ali cientistas do mundo todo tentando descobrir os mistérios do universo.
- Com certeza eu me lembro. Eu liderei aquela conferência. Mas continue. - Fala o cientista.
- Hoje, no futuro, já sabemos que o universo foi feito para toda a humanidade. Não há no universo outras formas de vida que se assemelhem à do homem. O que temos são só alguns micro-organismos. O universo foi feito para que o homem o dominasse por completo. - Falou o terceiro visitante.
- Sério?! - Se surpreende o cientista. - Uau! Eu não sabia que era assim! Eu pensava que...
Com um certo tom de raiva, o primeiro visitante interrompe a fala do cientista:
- Que era um absurdo pensar que o ser humano era o centro do universo. Que era muito egoísmo pensar que o universo foi feito só para o homem, e que deveriam existir seres extra-terrestres nele.
- Exatamente, mas por que a raiva?
- Porque naquela conferência o senhor refutou o argumento de alguns cientistas que pensavam justamente o contrário. - Repondeu o segundo visitante.
- Isso, mas ainda não entendo a raiva.
- No futuro nós fizemos um cálculo de causa-e-efeito invertido e, prevendo os efeitos no nosso tempo para o cálculo, nós chegamos até o senhor como causa. Nós identificamos que a humanidade seria bem mais evoluída do que é hoje, se naquela conferência o senhor não tivesse refutado aquele grupo minoritário de cientistas. Então gostaríamos de saber o motivo que levou o senhor a se opor ao argumento deles. - Clarificou com calma o terceiro visitante.
- Com tanta tecnologia, com tanta informação, com tanto conhecimento espalhado pelo nosso mundo, como o senhor foi capaz de se opor àqueles poucos homens? - Volta o primeiro com sua aspereza.
Então o cientista olhou para os três e disse:
To be continued...
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Cliente, também sou gente!
Carta de um prestador de serviços ao seu cliente:
Caro cliente,
Venho por meio desta, demonstrar minha profunda indignação pela forma como o senhor tem me tratado por esses anos todos. Imagino que o senhor esteja se perguntando o motivo pelo qual eu estaria indignado, uma vez que o senhor não deu motivo algum para isso.
Pois bem. Antes de começar, gostaria de pedir que o senhor se acalme e ouça com bastante atenção o que vou lhe falar, pois ouvir é a primeira reclamação que tenho que fazer do senhor.
Isso mesmo! O senhor tem se mostrado uma pessoa sem paciência para ouvir. Quando o senhor não interrompe a minha fala, sinto que o senhor só espera o momento de calar-me para descarregar suas dores, frustrações, medos e inseguranças em mim. Não preciso ressaltar que nesse seu monólogo não encontro conexão alguma com as palavras que proferi segundos antes da sua paciência acabar.
Continuando... Sem a capacidade de ouvir, o senhor fatalmente gastará seus neurônios com pensamentos e raciocínios vãos, pois estarão totalmente destoantes da possível solução a qual chegaríamos juntos se o senhor colaborasse comigo.
Por consequência, perdido nos seus pensamento, o senhor agirá de forma errada comigo. Não é de se estranhar se o senhor me chamar de incompetente, me xingar, e exigir que eu realize zilhões de outras tarefas só para esconder a única tarefa que o senhor tem que realizar e não realiza.
Eu sei que o senhor é o cliente e que merece um serviço de qualidade, mas não é por isso que o senhor tem o direito de me tratar mal. Antes do senhor ser cliente e antes de eu ser prestador de serviços, tanto o senhor como eu somos gente. E por ser gente existe uma série de pressupostos que devem ser colocados em prática quando duas pessoas têm uma espécie de relacionamento, mesmo que esse relacionamento seja profissional. Um desses pressupostos é o RESPEITO. Tanto eu como o senhor devemos nos respeitar antes de fazer qualquer negócio, e em cima do respeito nós negociamos: o senhor pede, nós alinhamos as expectativas, e eu faço.
"Ahhhh! É que eu tô com problemas pessoais!", "Ahhhh! Eu estou com muita pressão no trabalho!", "Ahhhh! Eu estou assim!", "Ahhhh! Eu estou assado!", ... Fique sabendo que também tenho problemas pessoais, que também tenho problemas no trabalho, e que nem por isso eu saio por aí atirando em todo mundo. Já dizia um padre da Canção Nova: "o problema é meu, mas meu rosto é do outro". O seu problema é seu. E até o momento em que você não quer minha ajuda para resolvê-lo, ele é SEU. E nessa brincadeira de ser seu pscicólogo, estou ganhando peso por conta dos "vários sapos que o senhor me fez engolir sem nem mastigar, dificultanto a digestão".
Mas podemos recomeçar a partir do seguinte princípio: dois seres humanos vão conversar sobre negócios. Vamos tentar de novo: Olá! Como posso ajudá-lo?
Caro cliente,
Venho por meio desta, demonstrar minha profunda indignação pela forma como o senhor tem me tratado por esses anos todos. Imagino que o senhor esteja se perguntando o motivo pelo qual eu estaria indignado, uma vez que o senhor não deu motivo algum para isso.
Pois bem. Antes de começar, gostaria de pedir que o senhor se acalme e ouça com bastante atenção o que vou lhe falar, pois ouvir é a primeira reclamação que tenho que fazer do senhor.
Isso mesmo! O senhor tem se mostrado uma pessoa sem paciência para ouvir. Quando o senhor não interrompe a minha fala, sinto que o senhor só espera o momento de calar-me para descarregar suas dores, frustrações, medos e inseguranças em mim. Não preciso ressaltar que nesse seu monólogo não encontro conexão alguma com as palavras que proferi segundos antes da sua paciência acabar.
Continuando... Sem a capacidade de ouvir, o senhor fatalmente gastará seus neurônios com pensamentos e raciocínios vãos, pois estarão totalmente destoantes da possível solução a qual chegaríamos juntos se o senhor colaborasse comigo.
Por consequência, perdido nos seus pensamento, o senhor agirá de forma errada comigo. Não é de se estranhar se o senhor me chamar de incompetente, me xingar, e exigir que eu realize zilhões de outras tarefas só para esconder a única tarefa que o senhor tem que realizar e não realiza.
Eu sei que o senhor é o cliente e que merece um serviço de qualidade, mas não é por isso que o senhor tem o direito de me tratar mal. Antes do senhor ser cliente e antes de eu ser prestador de serviços, tanto o senhor como eu somos gente. E por ser gente existe uma série de pressupostos que devem ser colocados em prática quando duas pessoas têm uma espécie de relacionamento, mesmo que esse relacionamento seja profissional. Um desses pressupostos é o RESPEITO. Tanto eu como o senhor devemos nos respeitar antes de fazer qualquer negócio, e em cima do respeito nós negociamos: o senhor pede, nós alinhamos as expectativas, e eu faço.
"Ahhhh! É que eu tô com problemas pessoais!", "Ahhhh! Eu estou com muita pressão no trabalho!", "Ahhhh! Eu estou assim!", "Ahhhh! Eu estou assado!", ... Fique sabendo que também tenho problemas pessoais, que também tenho problemas no trabalho, e que nem por isso eu saio por aí atirando em todo mundo. Já dizia um padre da Canção Nova: "o problema é meu, mas meu rosto é do outro". O seu problema é seu. E até o momento em que você não quer minha ajuda para resolvê-lo, ele é SEU. E nessa brincadeira de ser seu pscicólogo, estou ganhando peso por conta dos "vários sapos que o senhor me fez engolir sem nem mastigar, dificultanto a digestão".
Mas podemos recomeçar a partir do seguinte princípio: dois seres humanos vão conversar sobre negócios. Vamos tentar de novo: Olá! Como posso ajudá-lo?
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Comunidades são Comum Unidades?
Numa época que tanto se fala de redes sociais pra ali, comunidades pra lá, seguidores pra cá, venho nesse post questionar se o conceito de comunidade está sendo aplicado corretamente. Segue a história:
Um belo dia, num formigueiro, a Rainha convocou todas as formigas e separou-as em grupos. Cada grupo seria responsável por uma coisa. Para cada grupo a Rainha escolheu uma formiga experiente para coordenar. E enviou-os para que fossem executar suas atividades.
Num certo grupo (o responsável pela coleta de comida), o coordenador fez uma mini-reunião para decidir como eles iriam dividir suas tarefas para alcançar o objetivo do seu grupo. Mas durante a reunião, saiu a seguinte conversa:
- Pessoal temos que colher bastante comida para o jantar anual. Estão todas prontas para usar suas mandíbulas e seus feromônios?
- Eu não sei fazer isso, não.
- Eu tô enferrujada.
- Eu ainda sou muito nova para isso.
- Eu não tenho experiência.
- Eu também nunca fiz isso.
- Agora eu não posso, pois estou ocupada com outras coisas.
Dessa forma, a formiga coordenadora se sentiu insegura de contar com a ajuda das outras. Atribuiu-lhes, então, atividades mais fáceis ou de quase nenhum valor para serem cumpridas. Saiu, por fim, sozinha para atingir a meta estipulada pela Rainha.
Algumas formigas ficavam esperando nas portas do formigueiro a coordenadora chegar carregada de comida para a grande festa. A coordenadora estava sobrecarregada e cansada e já não conseguia dar conta de toda a comida que o grupo dela deveria levar. E anunciou sua decisão para o grupo:
- Vamos trabalhar também à noite para podermos alcançar a meta que nós temos que atingir.
E assim se fez. Trabalharam horas extras todas do grupo. É verdade que algumas do grupo iam para a porta do formigueiro com vontade de ajudar a coordenadora. Entretanto, outras achavam ruim ter que trabalhar à noite também. E reclamavam:
- Eu estou cansada de passar o dia inteiro aqui e ainda ter que vir pela noite.
- Pois é! Estamos trabalhando demais e ficando cada vez mais cansadas.
- Não sei por que a coordenadora inventou de trabalhar até essas horas!
- Por acaso ela não se programa para trabalhar nas horas normais?
Até que uma das formigas de boa vontade disse:
- Não seria melhor se a gente ajudasse de forma mais comprometida a coordenadora?
- Comprometida?
- Sim! Engajada! Participante! Atuante! Mão na massa! Ao invés de ficarmos esperando ela por tudo.
- Boa idéia! A partir de amanhã, nós iremos nos juntar a ela e assim traremos a comida necessária mais rápido e teremos tempo para descansar à noite.
- Todas topam?
- Sim! - Responderam em uníssono.
No dia seguinte, só uma delas acompanhou a coordenadora nos trabalhos braçais. As outras ficaram na porta do formigueiro alegando as mesmas desculpas do começo da história.
No caminho, a coordenadora desabafou com a companheira:
- Não dá pra fazer tudo isso sozinha! Sou só uma formiga.
- Entendo. Mas por que você faz?
- Porque precisa ser feito e não me sinto confortável em pedir coisas às outras, pois acredito que não vão conseguir.
- Entendo. Eu acho que até elas não acreditam que vão conseguir.
- A Rainha me chamou pra conversar e me disse que meus amigos e familiares estão reclamando minha ausência. Quando expliquei pra ela os motivos do meu chá de sumiço, ela não gostou. Ela disse que não queria eu fazendo tudo sozinha, e que eu tinha um time pra ajudar e colaborar, e que amigos e família são extremamente importantes na vida de uma formiga. Mas temos que atingir a meta, não é?
- Você acha que vamos atingir a meta?
- Acho que sim. Com muito esforço e trabalho vamos conseguir. Acredito que no final ela me dará uma coroa de honra ao mérito.
- Mesmo você deixando seus amigos e parentes de lado?
- Sim.
- Mas você não acha que se fosse pra deixar amigos e parentes de lado, a Rainha não teria dito? Acredito que ela quer a harmonia dentro do formigueiro.
- É. Ela falou que eu saberia o momento de deixar amigos e parentes de lado. Mas... Enfim... Agora apresse-se, pois falta pouco para alcançarmos a meta.
Dias depois, a Rainha foi fazer o levantamento das atividades executadas pelos grupos e viu que aquele grupo tinha conseguido atingir a meta. E, voltando-se para o grupo, disse:
- Vejo que sua coordenadora não está com vocês.
- É verdade. Ela está doente. Ultrapassou os limites dela…
- Sem meu consentimento. - Completou a Rainha.
- Por isso não vem hoje receber o prêmio.
- Ela não merece o prêmio. Se sua coordenadora não merece, vocês também não merecem. E vocês sabem o porquê.
Entristecidas, as formiguinhas baixaram as cabeças em sinal de arrependimento. E a Rainha continuou:
- Agora o mínimo que vocês podem fazer é voltar lá e tomar conta da sua coordenadora, a fim de que reestabeleça sua saúde o mais breve possível.
- Servir a coordenadora?
- Isso mesmo. Espero que tenham entendido o recado.
E retirou-se.
PERGUNTO: Onde ficou a Comum Unidade (ou Comunidade)?
1. Dentro do formigueiro?
2. Na porta do formigueiro?
3. Fora do formigueiro?
4. Ou em canto nenhum?
[]'s
Um belo dia, num formigueiro, a Rainha convocou todas as formigas e separou-as em grupos. Cada grupo seria responsável por uma coisa. Para cada grupo a Rainha escolheu uma formiga experiente para coordenar. E enviou-os para que fossem executar suas atividades.
Num certo grupo (o responsável pela coleta de comida), o coordenador fez uma mini-reunião para decidir como eles iriam dividir suas tarefas para alcançar o objetivo do seu grupo. Mas durante a reunião, saiu a seguinte conversa:
- Pessoal temos que colher bastante comida para o jantar anual. Estão todas prontas para usar suas mandíbulas e seus feromônios?
- Eu não sei fazer isso, não.
- Eu tô enferrujada.
- Eu ainda sou muito nova para isso.
- Eu não tenho experiência.
- Eu também nunca fiz isso.
- Agora eu não posso, pois estou ocupada com outras coisas.
Dessa forma, a formiga coordenadora se sentiu insegura de contar com a ajuda das outras. Atribuiu-lhes, então, atividades mais fáceis ou de quase nenhum valor para serem cumpridas. Saiu, por fim, sozinha para atingir a meta estipulada pela Rainha.
Algumas formigas ficavam esperando nas portas do formigueiro a coordenadora chegar carregada de comida para a grande festa. A coordenadora estava sobrecarregada e cansada e já não conseguia dar conta de toda a comida que o grupo dela deveria levar. E anunciou sua decisão para o grupo:
- Vamos trabalhar também à noite para podermos alcançar a meta que nós temos que atingir.
E assim se fez. Trabalharam horas extras todas do grupo. É verdade que algumas do grupo iam para a porta do formigueiro com vontade de ajudar a coordenadora. Entretanto, outras achavam ruim ter que trabalhar à noite também. E reclamavam:
- Eu estou cansada de passar o dia inteiro aqui e ainda ter que vir pela noite.
- Pois é! Estamos trabalhando demais e ficando cada vez mais cansadas.
- Não sei por que a coordenadora inventou de trabalhar até essas horas!
- Por acaso ela não se programa para trabalhar nas horas normais?
Até que uma das formigas de boa vontade disse:
- Não seria melhor se a gente ajudasse de forma mais comprometida a coordenadora?
- Comprometida?
- Sim! Engajada! Participante! Atuante! Mão na massa! Ao invés de ficarmos esperando ela por tudo.
- Boa idéia! A partir de amanhã, nós iremos nos juntar a ela e assim traremos a comida necessária mais rápido e teremos tempo para descansar à noite.
- Todas topam?
- Sim! - Responderam em uníssono.
No dia seguinte, só uma delas acompanhou a coordenadora nos trabalhos braçais. As outras ficaram na porta do formigueiro alegando as mesmas desculpas do começo da história.
No caminho, a coordenadora desabafou com a companheira:
- Não dá pra fazer tudo isso sozinha! Sou só uma formiga.
- Entendo. Mas por que você faz?
- Porque precisa ser feito e não me sinto confortável em pedir coisas às outras, pois acredito que não vão conseguir.
- Entendo. Eu acho que até elas não acreditam que vão conseguir.
- A Rainha me chamou pra conversar e me disse que meus amigos e familiares estão reclamando minha ausência. Quando expliquei pra ela os motivos do meu chá de sumiço, ela não gostou. Ela disse que não queria eu fazendo tudo sozinha, e que eu tinha um time pra ajudar e colaborar, e que amigos e família são extremamente importantes na vida de uma formiga. Mas temos que atingir a meta, não é?
- Você acha que vamos atingir a meta?
- Acho que sim. Com muito esforço e trabalho vamos conseguir. Acredito que no final ela me dará uma coroa de honra ao mérito.
- Mesmo você deixando seus amigos e parentes de lado?
- Sim.
- Mas você não acha que se fosse pra deixar amigos e parentes de lado, a Rainha não teria dito? Acredito que ela quer a harmonia dentro do formigueiro.
- É. Ela falou que eu saberia o momento de deixar amigos e parentes de lado. Mas... Enfim... Agora apresse-se, pois falta pouco para alcançarmos a meta.
Dias depois, a Rainha foi fazer o levantamento das atividades executadas pelos grupos e viu que aquele grupo tinha conseguido atingir a meta. E, voltando-se para o grupo, disse:
- Vejo que sua coordenadora não está com vocês.
- É verdade. Ela está doente. Ultrapassou os limites dela…
- Sem meu consentimento. - Completou a Rainha.
- Por isso não vem hoje receber o prêmio.
- Ela não merece o prêmio. Se sua coordenadora não merece, vocês também não merecem. E vocês sabem o porquê.
Entristecidas, as formiguinhas baixaram as cabeças em sinal de arrependimento. E a Rainha continuou:
- Agora o mínimo que vocês podem fazer é voltar lá e tomar conta da sua coordenadora, a fim de que reestabeleça sua saúde o mais breve possível.
- Servir a coordenadora?
- Isso mesmo. Espero que tenham entendido o recado.
E retirou-se.
PERGUNTO: Onde ficou a Comum Unidade (ou Comunidade)?
1. Dentro do formigueiro?
2. Na porta do formigueiro?
3. Fora do formigueiro?
4. Ou em canto nenhum?
[]'s
domingo, 18 de abril de 2010
A gente quer dinheiro e felicidade!
Já cantava Titãs a música Comida no final da década de 80 mostrando, para mim, que não basta o dinheiro na vida, e que uma política de pão-e-circo não resolve os problemas do Brasil.
Enfim, mas o foco aqui é o seguinte: Dinheiro traz felicidade?
Hoje em dia vejo muitos amigos meus numa busca afobada, quase numa atitude de desespero, atrás de dinheiro, não importando o que eles façam para alcançar essa quantidade de dinheiro toda. Me sinto às vezes pressionado por eles a correr como eles, mas peço muito a Deus auto-domínio para não me deixar levar pelo dinheiro.
A imagem que me vem na cabeça para tentar reproduzir isso que estou dizendo é de uma uma tsunami (30, 50, 100 metros de altura) chamada Desemprego vindo em direção à cidade e vai devastar tudo, e todo mundo começa a correr para um local seguro chamado Dinheiro. Só que esse local é difícil de achar. Cada uma dessas pessoas tem um mapa da mina nas mãos. Umas copiaram o mapa de outras, outras inventaram um próprio mapa, e por aí vai. Só sei que é um desespero pra achar esse lugar seguro, onde nenhuma tsunami vai chegar, e por consequência não vai trazer infelicidade para ninguém. Eu não sou besta, leso ou retardado de ficar num local inseguro, sendo assim eu também procuro achar esse local, mas para mim ele não se chama Dinheiro. No meu caso esse local se chama Deus. Às vezes sinto como um arrastão de pessoas me levando para onde ninguém sabe onde é, mas eu procuro sair do meio deles e voltar para o local onde estava antes.
É mais ou menos assim o sentimento que tenho daqueles com quem tenho conversado recentemente. Com essa parábola acima quero dizer que existe problema em querer dinheiro? Será que quero dizer que existe problema em querer felicidade? Claro que não. O problema é a associação que existe entre esses dois elementos. Isso causa um inferno inconsciente na vida das pessoas: "Não tenho dinheiro, logo sou infeliz" ou "Tenho dinheiro, logo sou feliz, mas não posso perder esse dinheiro, pois ficarei infeliz". Repito: INSCONSCIENTE. Essa mensagem que une Dinheiro a Felicidade é ruim, pois os frutos são tristes. Ahhh, Emerson! Qual mensagem traz um fruto bom? Respondo: Desassociar esses dois elementos. "Eu quero dinheiro" e "Eu quero felicidade". Pronto. O querer felicidade vai te trazer felicidade, enquanto que o querer dinheiro vai te trazer dinheiro. Dessa forma achar a felicidade é bem mais fácil que o dinheiro.
Tá bom, tá bom. Quem vos fala é um Zé Ninguém. Então vou pegar James Hunter. Ele fala que "Felicidade traz Dinheiro" e não o contrário. Psicólogos falam nessa notícia "O sonho de encontrar a felicidade" que é verdade que em muitos casos a presença do elemento Dinheiro ajuda no elemento Felicidade, mas até agora não tem nada comprovado. Ao contrário tem muito exemplo que mostra que essa relação não é tão forte assim. Por exemplo: os países mais felizes do mundo não necessariamente são ricos.
Por fim digo a todos que estão lendo esse blog: Não busque nem segurança nem Felicidade no Dinheiro, mas em Deus. Mas peça a Ele que se o Dinheiro for contribuir na sua Felicidade, que o Dinheiro venha, mas nunca tome o lugar Dele que deve ser a fonte da Felicidade. Uma coisa é contribuir outra coisa é ser fonte.
Já dizia Jesus "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro", quando constata a impossibilidade de amar, de verdade e ao mesmo tempo, dois senhores.
Enfim, mas o foco aqui é o seguinte: Dinheiro traz felicidade?
Hoje em dia vejo muitos amigos meus numa busca afobada, quase numa atitude de desespero, atrás de dinheiro, não importando o que eles façam para alcançar essa quantidade de dinheiro toda. Me sinto às vezes pressionado por eles a correr como eles, mas peço muito a Deus auto-domínio para não me deixar levar pelo dinheiro.
A imagem que me vem na cabeça para tentar reproduzir isso que estou dizendo é de uma uma tsunami (30, 50, 100 metros de altura) chamada Desemprego vindo em direção à cidade e vai devastar tudo, e todo mundo começa a correr para um local seguro chamado Dinheiro. Só que esse local é difícil de achar. Cada uma dessas pessoas tem um mapa da mina nas mãos. Umas copiaram o mapa de outras, outras inventaram um próprio mapa, e por aí vai. Só sei que é um desespero pra achar esse lugar seguro, onde nenhuma tsunami vai chegar, e por consequência não vai trazer infelicidade para ninguém. Eu não sou besta, leso ou retardado de ficar num local inseguro, sendo assim eu também procuro achar esse local, mas para mim ele não se chama Dinheiro. No meu caso esse local se chama Deus. Às vezes sinto como um arrastão de pessoas me levando para onde ninguém sabe onde é, mas eu procuro sair do meio deles e voltar para o local onde estava antes.
É mais ou menos assim o sentimento que tenho daqueles com quem tenho conversado recentemente. Com essa parábola acima quero dizer que existe problema em querer dinheiro? Será que quero dizer que existe problema em querer felicidade? Claro que não. O problema é a associação que existe entre esses dois elementos. Isso causa um inferno inconsciente na vida das pessoas: "Não tenho dinheiro, logo sou infeliz" ou "Tenho dinheiro, logo sou feliz, mas não posso perder esse dinheiro, pois ficarei infeliz". Repito: INSCONSCIENTE. Essa mensagem que une Dinheiro a Felicidade é ruim, pois os frutos são tristes. Ahhh, Emerson! Qual mensagem traz um fruto bom? Respondo: Desassociar esses dois elementos. "Eu quero dinheiro" e "Eu quero felicidade". Pronto. O querer felicidade vai te trazer felicidade, enquanto que o querer dinheiro vai te trazer dinheiro. Dessa forma achar a felicidade é bem mais fácil que o dinheiro.
Tá bom, tá bom. Quem vos fala é um Zé Ninguém. Então vou pegar James Hunter. Ele fala que "Felicidade traz Dinheiro" e não o contrário. Psicólogos falam nessa notícia "O sonho de encontrar a felicidade" que é verdade que em muitos casos a presença do elemento Dinheiro ajuda no elemento Felicidade, mas até agora não tem nada comprovado. Ao contrário tem muito exemplo que mostra que essa relação não é tão forte assim. Por exemplo: os países mais felizes do mundo não necessariamente são ricos.
Por fim digo a todos que estão lendo esse blog: Não busque nem segurança nem Felicidade no Dinheiro, mas em Deus. Mas peça a Ele que se o Dinheiro for contribuir na sua Felicidade, que o Dinheiro venha, mas nunca tome o lugar Dele que deve ser a fonte da Felicidade. Uma coisa é contribuir outra coisa é ser fonte.
Já dizia Jesus "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro", quando constata a impossibilidade de amar, de verdade e ao mesmo tempo, dois senhores.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Só quero saber do que pode dar certo!
Tá certo que letra da música "Go Back" de Titãs foi escrita em um contexto diferente, mas o refrão se encaixa perfeitamente no contexto em que muitas empresas de TIC vivem hoje em dia: "Não tenho tempo a perder, só quero saber do que pode dar certo". Mais uma vez o Tempo fazendo empresas e mais empresas reféns dele.
Sem querer entrar nos motivos que levam a isso agora, hoje os cronogramas estão cada vez mais apertados. Pelo menos os meus, e os dos meus colegas distribuídos mundo afora que estão sempre comentando comigo sobre o assunto.
Uma vez, num projeto antigo que trabalhei, ouvi a seguinte frase de um colega logo após eu ter terminado (em menos tempo que o previsto) a funcionalidade que me deram pra implementar: "Você sempre estará atrasado, pois o projeto está atrasado". Curto e grosso! É triste, mas é verdade. :) Vai me dizer que isso não é a realidade em muitos locais por aí?
A verdade é que tem muita gente que poderia ir pro trabalho logo de manhã cedo ouvindo esse refrão da música de Titãs, para poder chegar já no trabalho afiado para brigar contra o cronograma (que as vezes não foi nem ele quem fez). Pois essas pessoas já vivem esse refrão na pele mesmo sem cantá-lo.
Por isso as empresas de TIC têm que tomar um cuidado enorme. Cuidado esse que eu acho que algumas não estão tendo, seja porque não acreditam, seja porque não querem acreditar no recado. Mas a falta desse cuidado pode trazer grandes prejuízos para elas. E que cuidado é esse? Num post passado lembrei da história do Titanic. Inventaram de acelerar o navio para chamar a atenção da imprensa Nova Iorquina, acabaram batendo num iceberg porque não conseguiram desacelerar, e o resto da história você já sabe.
Ou seja, fatalmente as pessoas que trabalham com cronogramas apertados, e não estimados nem revisados por elas mesmas, vão viver um refrão de outra música de Titãs: "Não é que eu vou fazer igual, eu vou fazer pior". Essas pessoas não querem fazer pior, mas vão fazer. Por quê? Porque o cronograma não as deixa fazerem melhor.
Melhor seria se as pessoas cantassem esses refrões todos os dias, pois assim estariam mais conscientes do que estão vivendo na pele. Melhor ainda seria se pudessem cantar para seus líderes, chefes, gerentes, CEOs, ...; quem sabe assim a ficha cai para eles.
ABRE O OLHO, EMPRESA!
Sem querer entrar nos motivos que levam a isso agora, hoje os cronogramas estão cada vez mais apertados. Pelo menos os meus, e os dos meus colegas distribuídos mundo afora que estão sempre comentando comigo sobre o assunto.
Uma vez, num projeto antigo que trabalhei, ouvi a seguinte frase de um colega logo após eu ter terminado (em menos tempo que o previsto) a funcionalidade que me deram pra implementar: "Você sempre estará atrasado, pois o projeto está atrasado". Curto e grosso! É triste, mas é verdade. :) Vai me dizer que isso não é a realidade em muitos locais por aí?
A verdade é que tem muita gente que poderia ir pro trabalho logo de manhã cedo ouvindo esse refrão da música de Titãs, para poder chegar já no trabalho afiado para brigar contra o cronograma (que as vezes não foi nem ele quem fez). Pois essas pessoas já vivem esse refrão na pele mesmo sem cantá-lo.
Por isso as empresas de TIC têm que tomar um cuidado enorme. Cuidado esse que eu acho que algumas não estão tendo, seja porque não acreditam, seja porque não querem acreditar no recado. Mas a falta desse cuidado pode trazer grandes prejuízos para elas. E que cuidado é esse? Num post passado lembrei da história do Titanic. Inventaram de acelerar o navio para chamar a atenção da imprensa Nova Iorquina, acabaram batendo num iceberg porque não conseguiram desacelerar, e o resto da história você já sabe.
Ou seja, fatalmente as pessoas que trabalham com cronogramas apertados, e não estimados nem revisados por elas mesmas, vão viver um refrão de outra música de Titãs: "Não é que eu vou fazer igual, eu vou fazer pior". Essas pessoas não querem fazer pior, mas vão fazer. Por quê? Porque o cronograma não as deixa fazerem melhor.
Melhor seria se as pessoas cantassem esses refrões todos os dias, pois assim estariam mais conscientes do que estão vivendo na pele. Melhor ainda seria se pudessem cantar para seus líderes, chefes, gerentes, CEOs, ...; quem sabe assim a ficha cai para eles.
ABRE O OLHO, EMPRESA!
quarta-feira, 31 de março de 2010
O que é que eu fiz esse tempo todo?
Muita gente não tem o costume de medir o seu tempo. Em que sentido? No sentido de quais atividades foram feitas para alcançar um determinado objetivo durante um certo tempo.
Para alguns isso pode ser neurose; para outros, perda de tempo; para outros desnecessário (nem inflói, nem contribói); para outros, vital para se ter controle da vida. Enfim, medir o tempo ainda divide as pessoas.
Existe um problema nessa divisão? Não! Pelo menos até o ponto onde não se fica prejudicado pelo passar do tempo. O tempo passa, o tempo voa, e tem gente que vive como se estivesse correndo atrás de um ladrão: "Ei, volte aqui seu ladrão de possiblidades de execução de atividades!". Só não sabem essas pessoas que o tempo é surdo e corre pra caramba. :) Só é possível pegá-lo com uma estratégia, um bote, uma tocaia; e só então domá-lo e deixá-lo sob seu controle. É mais ou menos como os humanóides (Na'vi) de Avatar faziam para capturar um animal voador para eles. :). E quem corre e não alcança o tempo, chega ao ponto de não ser capaz de responder à uma simples pergunta: o que você fez (em detalhes) nas últimas três horas?
O sujeito pode até dizer as atividades maiores, ou aquelas que ocuparam mais tempo dele, mas das menores ele não se lembra. Isso é o reflexo de as pequenas atividades não recebem a devida importância. Isso quer dizer que eu devo passar meu dia anotando tudo a cada minuto que se passa? Claro que não, mas alguém deve fazer isso por você. Quem? Algum processo automático. Hoje já existem ferramentas que automatizam essa medição, entretanto ainda têm muito o que melhorar. E esse é um dos projetos que ainda vou fazer na vida: "Melhorar o processo de medição automático de atividades diárias. Medir automaticamente e silenciosamente, sem intervenção humana".
Mas por que devo me preocupar (manual ou automaticamente) em medir o tempo gasto nessas atividades pequenas? Porque medir é bom, ajuda a estimar, e te dá subsídios para seus argumentos.
Certa vez tive que fazer a alteração de uma linha de código. E me entristecia com o tempo que levava para ter essa linha de código atualizada no produto final. Foi quando o meu o cliente chegou pra mim e começou:
- Quanto tempo você leva para fazer a alteração dessa linha de código?
- Duas horas?
- Por quê isso tudo?
E pensando só nas atividades grandes respondi:
- Os servidores demoram em torno de uma hora e meia para sincronizar. E os outros trinta minutos são para seguir o processo.
Mesmo sem acreditar, o cliente concordou. Foi então que eu decidi mostrar nos "mínimos detalhes" o tempo gasto em cada microatividade executada por mim. Foi quando eu mesmo me espantei:
Total: 180 min = 3h
A sorte é que o tempo de sincronização dos servidores aconteceu durante o horário de almoço.
Pude perceber alguns pontos com isso:
Logo ficou claro na minha cabeça a resposta para a pergunta título desse post. E depois que eu mostrei isso para o cliente, num instante ele se convenceu da demora e começou a providenciar melhorias de infra-estrutura e processo nesse projeto que participo.
Resumindo essa conversa toda: medir é bom e ajuda a estimar, ajuda também a apontar as pedras do nosso caminho, e olhar para o relatório de tempo gasto é sempre um desafio de humildade, pois ele vai te dizer algumas verdades que você nem sabia que existiam.
Tempo total para escrever esse post: 1h.
Para alguns isso pode ser neurose; para outros, perda de tempo; para outros desnecessário (nem inflói, nem contribói); para outros, vital para se ter controle da vida. Enfim, medir o tempo ainda divide as pessoas.
Existe um problema nessa divisão? Não! Pelo menos até o ponto onde não se fica prejudicado pelo passar do tempo. O tempo passa, o tempo voa, e tem gente que vive como se estivesse correndo atrás de um ladrão: "Ei, volte aqui seu ladrão de possiblidades de execução de atividades!". Só não sabem essas pessoas que o tempo é surdo e corre pra caramba. :) Só é possível pegá-lo com uma estratégia, um bote, uma tocaia; e só então domá-lo e deixá-lo sob seu controle. É mais ou menos como os humanóides (Na'vi) de Avatar faziam para capturar um animal voador para eles. :). E quem corre e não alcança o tempo, chega ao ponto de não ser capaz de responder à uma simples pergunta: o que você fez (em detalhes) nas últimas três horas?
O sujeito pode até dizer as atividades maiores, ou aquelas que ocuparam mais tempo dele, mas das menores ele não se lembra. Isso é o reflexo de as pequenas atividades não recebem a devida importância. Isso quer dizer que eu devo passar meu dia anotando tudo a cada minuto que se passa? Claro que não, mas alguém deve fazer isso por você. Quem? Algum processo automático. Hoje já existem ferramentas que automatizam essa medição, entretanto ainda têm muito o que melhorar. E esse é um dos projetos que ainda vou fazer na vida: "Melhorar o processo de medição automático de atividades diárias. Medir automaticamente e silenciosamente, sem intervenção humana".
Mas por que devo me preocupar (manual ou automaticamente) em medir o tempo gasto nessas atividades pequenas? Porque medir é bom, ajuda a estimar, e te dá subsídios para seus argumentos.
Certa vez tive que fazer a alteração de uma linha de código. E me entristecia com o tempo que levava para ter essa linha de código atualizada no produto final. Foi quando o meu o cliente chegou pra mim e começou:
- Quanto tempo você leva para fazer a alteração dessa linha de código?
- Duas horas?
- Por quê isso tudo?
E pensando só nas atividades grandes respondi:
- Os servidores demoram em torno de uma hora e meia para sincronizar. E os outros trinta minutos são para seguir o processo.
Mesmo sem acreditar, o cliente concordou. Foi então que eu decidi mostrar nos "mínimos detalhes" o tempo gasto em cada microatividade executada por mim. Foi quando eu mesmo me espantei:
- Criar CR no bugtracker: 3 min
- Configurar ambiente de codificação: 5 min
- Criar branch: 2 min
- Codificar: 13 min
- Criar inspeção: 4 min
- Improdutivo: 24 min
- Inspeção: 9 min
- Retrabalho: 0 min
- Improdutivo: 11 min
- Merge com a mainline: 10 min
- Criar e passar label no código na mainline: 1 min
- Transicionar CR: 8 min
- Criar instalador: 8 min
- Reunião com o cliente: 54 min
- Criar instalador: 22 min
- Liberar release no servidor do cliente: 6 min
Total: 180 min = 3h
A sorte é que o tempo de sincronização dos servidores aconteceu durante o horário de almoço.
Pude perceber alguns pontos com isso:
- Demorei 3h (e não 2h) para fazer o que deveria.
- O dia é feito de minutos (considerando que a granularidade de segundos não é tão apropriada para executar atividades normais). De minuto em minuto, o tempo passa. Atividades de poucos minutos quando somadas dão muitos minutos.
- Gastei 54 min numa reunião com o cliente. A culpa foi da reunião? De forma alguma. Reunião é o tipo de coisa acontece sempre numa semana. Sempre tem uma reunião surpresa que te toma 30 min, 1h, ou mais. Mas o seu prazo é o mesmo para fazer o que deve. Então isso deve ser contabilizado numa próxima estimativa.
- Gastei 13 min para modificar uma linha de código! Quanto processo eu tava seguindo, quantas interrupções eu sofri para chegar ao ponto de gastar 13 min para alterar uma linha? Repetindo: UMA LINHA!!!
Logo ficou claro na minha cabeça a resposta para a pergunta título desse post. E depois que eu mostrei isso para o cliente, num instante ele se convenceu da demora e começou a providenciar melhorias de infra-estrutura e processo nesse projeto que participo.
Resumindo essa conversa toda: medir é bom e ajuda a estimar, ajuda também a apontar as pedras do nosso caminho, e olhar para o relatório de tempo gasto é sempre um desafio de humildade, pois ele vai te dizer algumas verdades que você nem sabia que existiam.
Tempo total para escrever esse post: 1h.
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