segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Catequizando Hamurabi

Depois de me deparar com várias situações do dia-a-dia que causaram revolta, indignação e desejo de matar em algumas pessoas, vi que seria necessário escrever um pouco sobre esse sentimento de vingança que vem de mais de 1700 anos antes de Cristo.

Na verdade vem desde de antes, mas estou tomando o Código de Hamurabi como referência. Muitos resquícios da Lei de Talião ainda permeiam, residem e animam nossos corações assim como fizeram com o de Hamurabi.

Mas vamos deixar de conversa e vamos ao desafio de Catequizar o rapaz chamado Hamurabi.

Catequista: Olá, Hamurabi.
Hamurabi: Olá.
C: Tudo bom com você?
H: Depende.
C: Depende de que?
H: Depende de como estão meus inimigos ou aqueles que me fizeram mal.
C: Como assim?
H: Se eles estiverem mal, eu estou bem. Se eles estiverem bem, eu estou mal.
C: Ai, meu Jesus!
H: Quem?
C: Jesus.
H: Quem é esse?
C: Já já chego Nele.
H: Ok. O que te trouxe até aqui?
C: Olha, andei lendo o código de lei que você escreveu há um tempão.
H: Gostou? Perfeito, né?
C: Pra ser sincero, não gostei não.
H: Como não gostou? Um negócio perfeito daquele, sem erros, ideal para todos viverem bem.
C: Discordo. Veja bem... Do total de 282 pontos, tiramos 1 que é o ponto de número 13 (supesticioso você, né?), tiramos 34 que não foram possíveis aparecer na transcrição da pedra, restam 247 (muitos inspirados na Lei de Talião).
H: E?
C: E que 45 desses pontos, ou seja mais que 18%, referem-se de alguma forma a atentados contra a vida humana. Desses 45 pontos, 14 são mutilações físicas, 4 são relacionados à afogamento, 2 a queimar no fogo e 25 (mais de 12%) são condenações à morte. Não estou contanto aqui com os pontos aos quais se referem à penalidades materiais, mas à penalidades contra a vida.
H: E o que há de errado com isso? Tem que ser assim mesmo! "Aqui se faz. Aqui se paga". Tá pensando o que?! Tem justiça melhor do que essa? Tem que mandar matar tudinho. Gente ruim só presta morta. O camarada pensa duas vezes antes de fazer. Num é assim, não. Tá pensando que pode sair por aí, passando por cima da libertade dos outros? Roubando, matando, ... Por mim, se eu pudesse descobrir de antemão os safados do mundo inteiro, eu pegava tudinho e matava um por um, e lentamente que era pra os próximos ficarem mais aterrorizados ainda. Tem que pagar na mesma moeda.
C: Então você quer vencer o terror com terror?
H: Comigo é assim: bateu, levou.
C: Já pensou em dar a chance ao infrator, ou como você chama: a essa gente ruim, de se arrepender?
H: Essa gente ruim não tem jeito! Nunca vão mudar!
C: Você já se arrependeu de alguma coisa na sua vida?
H: Não. Eu não me arrependo de nada!
C: Pense direito.
H: Huuummm! É acho que de uma coisa ou outra eu me arrependo.
C: Pois bem. Já pensou que qualquer um, inclusive essa gente ruim que não tem jeito, pode um dia se arrepender de alguma coisa?
H: Como, meu amigo? Se eles não têm jeito?
C: Você acredita que Deus acredita e espera o arrependimento desses que não têm jeito?
H: Deus?! É capaz dEle ser mais rigoroso do que eu na Sua justiça.
C: Lembra que eu falei num nome agora a pouco?
H: Sim. Jesus.
C: Isso. Jesus é o Filho de Deus que nasceu há muito tempo, e veio mostrar a face amorosa de Deus para o mundo.
H: Então ele deve ter descido o chicote nesses infratores safados, ladrões covardes, assassinos podres, cobradores de impostos filhos de uma p*&$, vermes sujos, doentes viciados, etc.
C: Não.
H: Como não?! Ele veio mostrar a justiça de Deus para o mundo, não foi?
C: Foi.
H: E se não foi isso, o que ele mostrou?
C: Jesus contou essa história para que o povo entendesse: Um homem tinha dois filhos. O mais moço foi embora com sua parte da herança...
H: Sem o pai ter morrido?!
C: Sim.
H: É um bastardo mesmo. Safado. Merecia ter as mãos arrancadas ou umas chicotadas no mínimo.
C: Calma. Daí ele foi gastou todo o dinheiro e passou fome. Foi trabalhar alimentando porcos, mas nem a comida dos porcos ele podia comer. Então ele SE ARREPENDEU, e pensou em voltar para a casa do pai dele, mas não pensou em voltar como filho...
H: Pois tinha sido um canalha!
C: Isso. Daí ele pensou em voltar como escravo do pai.
H: Era o mínimo que esse sem vergonha poderia fazer.
C: Pois bem. Nesse ponto você contempla a idéia de justiça que esse filho tinha. Ele não se achava digno, não tinha a cara de pau de voltar a ser filho, o que ele achava justo, CASO O PAI ACEITASSE, seria ser escravo.
H: Concordo com ele, mas só depois de umas porradinhas.
C: Tá certo. Agora vamos ver a continuação da história e ver se a noção de justiça do pai é a mesma do filho e consequentemente da sua.
H: Diz aí.
C: O filho mais novo volta pra casa e no caminho o pai o vê.
H: Se levanta e bate a porta na cara dele. Era o que eu faria. :)
C: Não. Ele corre na direção do filho, abraça-o, beija-o, coloca um anel no seu dedo, vestes novas, mata um novilho gordo e faz uma festa.
H: Hã?!
C: O filho mais novo não era justo daquilo, mas o pai o fez justo de merecer todo aquele cuidado. Elevou-o para o nível de justo de merecimento da festa.
H: Hã?!
C: O filho mais novo merecia a festa?
H: Não.
C: Mas se ele não tivesse cometido nenhuma falta ou transgressão, ele mereceria?
H: Sim.
C: Pois bem, o filho arrependeu-se, o pai perdoou-lhe as faltas, e elevou o filho ao status de zero faltas cometidas, logo, merecedor da festa.
H: Hã?!
C: E quando o filho mais velho (aquele que não cometeu nenhuma falta, nem transgrediu nenhuma ordem do pai) voltou do campo e viu toda a festa ele não quis entrar na casa, pois sabia que o irmão tinha voltado.
H: Também! O menino apronta tudo, volta e recebe uma festa.
C: Não é isso, Hamurabi. Você tá pensando feito o irmão mais velho. Ele não aprontou tudo e voltou de cara lavada, mas ele se arrependeu dos erros.
H: Certo. E o pai? Tô curioso pra saber o que o pai fez.
C: O pai convidou o mais velho para entrar e disse para ele se alegrar, pois o irmão estava como morto, mas tinha retornado à vida. E disse ainda: "meu filho, tudo o que é meu é teu".
H: Hã?! Isso é a justiça de Deus que Jesus veio mostrar?
C: Sim. E digo mais, Jesus contou essa história no momento em que os fariseus estavam condenando ele, porque ele comia e bebia (ou seja, fazia festa) com os pecadores.
H: Quer dizer que quem tava errado, o pai recebeu de braços abertos?
C: Sim.
H: E o que tava certo, quando viu isso agiu errado?
C: Sim.
H: E mesmo assim o pai disse que tudo o que era dele era do filho?
C: Sim.
H: Danou-se.
C: É um amor imenso, Hamurabi. Infinito. Não podemos calcular a largura, altura e profundidade desse amor. Ele chamou os dois de filho.
H: Conte-me mais histórias desse Jesus.
C: Certa vez uma mulher que era tida como PECADORA na cidade se debruçou sobre os pés de Jesus e chorou, chorou, chorou e chorou, beijava os pés de Jesus, e enxugava os pés com seus cabelos.
H: E Jesus deixou essa vadia nojenta tocar nele?
C: Sim. E ainda falou para o fariseu que pensou a mesma coisa que você: "A quem muito se perdoa, demonstra muito amor". Ou seja, a mulher demonstrou muito amor, pois arrependida dos pecados, recebeu o perdão de Jesus que disse: "Teus pecados estão perdoados".
H: Que é isso?! Pela mãe do guarda! Ele perdoou ela também?
C: Sim.
H: Hã?!
C: Outra vez, levaram até ele uma mulher que foi pega em flagrante no adultério.
H: Ahhh. Essa sim levou uma "cipuada", num levou não? Ou pelo menos foi jogada ao rio com uma pedra no pescoço.
C: Não. Jesus olhou pro povo que estava prestes a matá-la apedrejada...
H: Eu estaria no meio desse povo.
C: Acredito. Mas continuando... Olhou pro povo e disse: "Quem não tiver pecados, atire a primeira pedra".
H: Eu seria o primeiro.
C: Você não tem pecados?
H: Eu não.
C: Pense direito.
H: Tá bom, eu tenho. Certo, mas e aí? Alguém jogou?
C: Começando pelos mais velhos até os mais jovens, cada um foi soltando a pedra no chão.
H: É. Depois dessa, até eu soltaria.
C: Detalhe... Jesus era o único ali que poderia jogar a pedra, pois não tinha pecados.
H: Pelo menos ele jogou, né?
C: Não. Ele olhou pra mulher e disse: "Eu não te condeno. Vai e não tornes a pecar".
H: Hã?!
C: Outra vez...
H: Mais histórias?
C: Sim. Outra vez ele ia caminhando com seus discípulos e foram impedidos de entrar numa cidade. Então um discípulo chegou pra ele e perguntou: "Mestre, o senhor quer que eu mande fogo descer do céu e queimar essa cidade?".
H: Justo.
C: Nem de longe. Jesus olhou pra ele e disse: "Você não sabe por qual espírito você está sendo animado".
H: Esse espírito de vingança não era bom?
C: Nãnãninãnão.
H: Supletivo! Supletivo!
C: Outra vez um dos seus discípulos pegou a espada para defender o próprio Jesus que ia ser preso.
H: Preso?! O que ele fez pra ser preso?
C: Amou e fez o bem.
H: Sem comentários. Continua.
C: Daí Pedro, seu discípulo, pegou a espada e cortou a orelha do soldado. Então Jesus se voltou pra ele e disse: "Guarda essa espada, Pedro, porque quem vive pela espada, vai perecer por ela".
H: Ele era totalmente da paz. Nada de violência. Nada de revidar. Nada de pagar o mal, com o mal.
C: E digo mais... Pegou a orelha do soldado e colocou no lugar.
H: Aí é demais! Uma coisa é não fazer o mal e não revidar, mas fazer o bem a quem te faz o mal?! Pera aí, meu amigo. Tá com a gota. Ele colocou a orelha de volta? Nããã! É amor demais numa pessoa só.
C: Numa pessoa que é Deus ao mesmo tempo. Ele mesmo disse: "Quem me vê, vê o Pai", "Eu e o Pai somos um".
H: Pausa para processar.

3 min depois.

H: Continue.
C: Pois bem. Daí na prisão açoitaram ele até dizer chega, e depois foram crucificá-lo.
H: Ô gente ruim. Fazendo o mal a quem faz o bem. Merecia tudo morrer no fogo!
C: Também acho, mas Jesus não acha assim, não. Ele veio justamente para nos salvar desse fogo, para nos livrar da morte, para nos mostrar o caminho da salvação, o caminho que leva ao Pai do céu.
H: Continue, mas devagar. É demais para minha cabeça.
C: Daí, depois de açoitado e levado para morrer na cruz...
H: Cruz?! Uma das piores mortes que tinha! Mortes para amaldiçoados!
C: Isso. Lá na cruz ele olhou pro céu e rezou: "Pai, perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem".
H: Tá vendo que esse povo ruim não tem jeito? Fazendo tudo errado!
C: Tem jeito sim. A prova é o ladrão que foi crucificado com ele. Foram dois ladrões. Um amaldiçoou Jesus, o outro defendeu-o dizendo: "Cala a boca. Nós merecemos estar aqui, mas ele não".
H: Concordo.
C: Veja novamente a noção de justiça do ser humano que é totalmente diferente da noção de justiça de Deus. Para o ladrão era justo estar ali, mas para Deus estar ali era justificar (ou seja, tornar justo) absolutamente todas as pessoas do mundo.
H: Ai ai ai ai ai.
C: E pra você que acha que ninguém se arrepende, aí vai o fim da história do ladrão. Ele olhou pra Jesus e disse: "Senhor, lembra-te de mim, quando estiveres no paraíso".
H: Eu não pediria isso não. Não merecia.
C: O que foi que eu acabei de falar?
H: Tá certo! Entendi.
C: Jesus olhou pra ele e disse: "Ainda hoje estarás comigo no paraíso". Veja que o ladrão se arrependeu dos crimes que havia cometido, e Jesus o acolheu e o recebeu no paraíso.
H: Ou seja, até no final da vida, Jesus espera nossa mudança de vida, assim como o pai que esperava pelo filho mais novo na porta da casa, e quando ele chegou arrependido, ele perdoou-lhe os pecados e o recebeu com festa.
C: Demorou, mas captou.
H: Obrigado. :)
C: Depois disso Jesus morreu.
H: :(
C: Calma. Mas ressuscitou ao terceiro dia e está vivinho da silva do lado direito do Pai.
H: Pauleira esse Jesus.
C: Mas ao mesmo tempo ele está conosco. Toda hora. Todo instante. Todo lugar. E antes de subir para junto do Pai ele disse: "Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio de vós".
H: Gostei. Só amando pra fazer isso. Estou convencido de que o que eu escrevi no meu código e no meu coração estava errado. Foi totalmente do ponto de vista humano. Não procurei enxergar o humano com o olhar Divino, como Jesus fez.
C: Fico feliz por perceber isso.
H: Mas ainda não compreendo uma coisa. E os efeitos das faltas, transgressões, pecados das pessoas?
C: Como assim?
H: Elas vão causar danos em outras pessoas. Por que elas não mereceriam receber na mesma moeda?
C: O pecador terá que fazer o compromisso de não voltar a pecar. Lembra de Jesus falando: "Vai e não tornes a pecar"?
H: Sim.
C: E mais ainda ele pode e deve se comprometer em consertar o que puder o que seu erro bagunçou. De fato existem pecados que seus efeitos são devastadores, como é o caso da morte ou mutilação. Mas você tem que concordar que não é pagando na mesma moeda que vai desfazer os efeitos do pecado. Se eu atirar em você agora, você morre. Eu posso me arrepender de coração profundo, e Deus me perdoar, mas me matar não vai trazer sua vida de volta. Logo, concluimos que pagar na mesma moeda não resolve o problema da fragilidade humana. Os efeitos ficam, mas a humanidade avança e tem a oportunidade em Cristo Jesus de mudar de vida e diminuir os seus pecados.
H: Todos nós pecamos?
C: Todos somos devedores, pois pecamos. E digo mais nossa dívida é enorme. Jesus repetiu várias vezes que não "temos com o que pagar". Ora se não tenho como pagar a dívida, não há nada que eu faça que vai arrecadar dinheiro suficiente para pagar essa dívida. Só me resta o arrependimento. O perdão é Deus quem dá.
H: Sou capaz de dar perdão também?
C: Sim. Deus dá essa graça. Seu trabalho é só dizer "SIM. Eu quero perdoar!" e se esforçar para manter esse SIM aceso. O resto é Ele quem faz.
H: Então essa é a face de Deus que Jesus veio mostrar?
C: Sim. Na verdade Jesus mostrou muito mais, que nem eu nem você entendemos ainda. Mas isso foi só a ponta do iceberg do amor de Deus.
H: Quero mudar minha vida e meus pensamentos para ter a mesma vida e os mesmos pensamentos de Jesus Cristo.
C: Você leu isso em algum lugar?
H: Não.
C: :) É o Espírito Santo de Deus que Jesus enviou que está tocando o seu coração.
H: Espírito Santo?! Tem Deus que é o Pai, tem Jesus que é o Filho. E quem é esse Espírito Santo?
C: É o Espírito de Amor que provém do Pai e do Filho. Mas aí é assunto pra outra conversa.
H: Então como eu faço para me reunir com você em nome dele para que ele esteja no nosso meio?
C: Chega junto aqui. Agora faz assim comigo: "Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, Amém".

Existem muitos Hamurabis espalhados nesse mundo. Às vezes eles tomam uma parte do nosso coração e nos faz agir contrários ao amor de Deus. Se assim como eu, você tem restos de Hamurabi aí dentro do coração, busque o Amor de Deus. Peça que Ele coloque no seu coração o Seu olhar. E deixe que Ele vá aos poucos te transformando numa bela árvore, bem podada e cheia de frutos, que abriga passarinhos e alimenta quem necessita. Vingança nunca foi a resposta. Jesus tá aí pra provar isso.

Que essa sua nova vida se estenda a todos os lugares onde você for: casa, trabalho, colégio, farmárcia, universidade, lazer, ...

C: Tem alguém justo diante de Deus?
H: Sim.
C: Quem?
H: Todo aquele que se deixa ser justificado por Deus.
C: Bom garoto! :)

Amém.

domingo, 26 de setembro de 2010

Mundo Binário

Longe de dar uma aula de Lógica Booleana, esse post tem finalidade de deixar claro que o zero e o um fazem parte da vida de todo ser humano.

Há quem não goste muito de enxergar a vida como zero e um, certo e errado, preto e branco, ir ou não ir, ... Uma vez numa festa um rapaz que estava sentado à mesa falou que não gostava de um mundo só de certos e errados, e que a vida da pessoa era muito mais que isso. E ele continuou dizendo que o mundo, a vida, nossas decisões, não são só preto ou branco, e que entre essas duas cores existem várias tonalidades de cinza.

Entendi que a mensagem dele era que as pessoas precisavam enxergar pessoas como pessoas, e não julgá-las como certas e erradas por um certo moralismo. Por um lado o raciocínio dele está certíssimo, mas ele esquece-se de um detalhe importantíssimo: cada tonalidade de cinza que existe, só existe pois é formada de uma quantidade de preto mais uma quantidade de branco.

Como não tive a chance de falar-lhe disso naquele momento, gostaria de compartilhar com vocês isso: o cinza existe, mas é feito de preto e branco. Parafraseando minhas próprias palavras, a probabilidade que existe de um evento acontecer, deve-se a todos os SIMs e NÃOs que foram dados anteriormente.

É como uma árvore binária imensa (mas imensa mesmo) feita de zero e um, de certo e errado, de preto e branco, de sim e não, de ir e não ir, de bem e mal. Por isso repito que todas as nossas decisões são o que são por todas as decisões binárias que tomamos ao longo das nossas vidas.

Seu George Boole fez bem em representar os eventos do mundo inteiro em zero e um. Mesmo sendo impossível fazer, digamos, a engenharia reversa dessas decisões das nossas vidas, não podemos negar o fato de que dois caminhos sempre nos são apresentados. Você pode até pensar: "Ah, Emerson! Nem sempre são dois caminhos. Às vezes tem mais de uma escolha para a gente decidir". Concordo, mas para mim é fácil ver que para cada uma dessas n opções nós temos outras duas: direita e esquerda, sim e não, concordo e discordo, fazer e não fazer. Repito nossas vidas dependem das escolhas feitas em cada uma dessas opções. O mundo está mapeado numa imensa árvore binária de escolhas.

Pensemos nas nossas escolhas diárias, e vejamos para onde elas estão nos levando. Repito: o cinza existe, mas é feito de preto e branco.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Modelo Cascata de Trabalho

Ao contrário do que talvez você esteja pensando, eu não postei esse texto aqui para falar do Modelo Cascata de desenvolvimento de software que conhecemos dos livros, mas do Modelo Cascata que conhecemos na prática do dia-a-dia.

Que modelo é esse? É o Modelo Cascata de Trabalho. É um modelo muito antigo que visa beneficiar aquelas minorias da alta hierarquia de uma empresa (seja de software ou não) e explorar aquelas maiorias da baixa hierarquia. Seu funcionamento é bem fácil de entender.

Imagine a pirâmide que existe entre alta e baixa hierarquia (alta no topo e baixa no piso). Imagine a pirâmide bem formada (distribuída) conforme a figura abaixo:


Imagine que a água (Trabalhos) vai cair em cima dessa pirâmide. Perceba que o trabalho cai de forma distribuída em todos os níveis da pirâmide. Se a quantidade de trabalho aumentar, ele continua caindo distribuído, ou seja, aumenta pra todo mundo. Ou seja, cada um faz o trabalho que deve fazer.

Agora imagine se a alta hierarquia tira o corpo fora do trabalho que seria de responsabilidade dela, e deixa a pirâmide disforme como a figura a seguir:


Imagine novamente que a água (Trabalhos) vai cair em cima dessa pirâmide. Os que estão na base da pirâmide vão pegar a maior parte do trabalho, melhor dizendo, vão fazer o trabalho que outras pessoas (dos níveis acima) deveriam fazer. Ou seja, os de cima pegam o trabalho deles, fazem só uma pequena parte e deixam o resto para os níveis inferiores, resultando assim numa enxurrada de trabalho para os plebeus da base.

Aí está o Modelo Cascata de Trabalho. É uma cascata de trabalho. Trabalho que deveria ter ficado no andar de cima, cai no colo dos plebeus por conta da esquiva dos superiores. "Nada de novo debaixo do céu", talvez só faltasse um nome bonitinho para isso (se é que não já tem), porque nome feio tem um monte. :)

[]'s
Emerson de Lira Espínola

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Explicando a Parábola com outra Parábola

Oi pessoal!

Deus me inspirou a escrever essa parábola como forma de explicar a Palábora que Jesus contou sobre o Semeador, enquanto repletia sobre como as pessoas acolhem a em Jesus e na Igreja.

Tem gente que ouve a pregação e simplesmente não absorve nada, e continua a agir como o mundo age.
Tem gente que ouve a pregação e se encanta com a beleza das palavras, mas logo vêm os problemas e fazem com que a pessoa esqueça a palavra bonita que ouviu e logo volta a agir como o mundo age.
Tem gente que ouve a pregação, se encanta com a beleza, e começa a seguir o caminho da Palavra, mas não suporta as exigências de ter assumido esse caminho, então volta a agir como o mundo age.
Tem gente que ouve a pregação, se encanta com a beleza, começa a seguir o caminho da Palavra, e consegue viver pela Verdade, pois encontrou nela a FONTE da Felicidade e Amor: O Sentido da Vida.

Enfim, depois dessa explicação, imagino que se Jesus viesse nos nossos tempos de hoje, ele poderia contar a Parábola do Semeador assim:

"Havia um anel de valor incalculável jogado à beira da estrada.
Veio um cara completamente distraído, que não percebeu o anel, e acabou passando direto.
Veio outro cara mais atento e viu o anel no chão. Ele o pegou e olhando para o anel disse: 'Que azar, isso é ouro de tolo', e logo deixou o anel no chão.
Veio mais outro cara que também viu o anel. Ele o pegou e percebeu que não era ouro de tolo, mas não sabia que o anel valia muito. E levou-o consigo. Enquanto andava, pensou: 'Esse anel de ouro é muito pequeno. Mesmo que troque por dinheiro, o valor será pouco. Além disso corro o risco de apanhar de assaltantes por conta dele. Se valesse mais eu até correria o risco, mas...'. E assim, deixou o anel de novo no chão.
Veio o último cara, viu o anel, reconheceu o valor do anel e olhando para ele dizia sem parar: MY PRECIOUS!".

Espero que tenha dado pra entender. :)

[]'s
Emerson de Lira Espínola

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Ah! If my Code could talk...

Ladies and gentlemen!

It's my pleasure to annouce that my first e-book is released. Its name? "Ah! if my Code could talk...". Yeah! This is a fable which tells the fantastic, difficult, funny path of the Software to be release to the Customer. If my Code could talk, I believe it would write this book.

I'd like to beg your help to SPREAD it, because everybody that works with IT should read this e-book, mainly the developers. I wonder that they will identify themselves with some character(s) in the story.

I count on you to READ and FORWARD this e-book to your friends and co-workers.

Find the e-book here: Myebook - Ah! if my Code could talk... - click here to open my ebook

You can also find it at:

Apple Store: http://itunes.apple.com/us/book/ah-if-my-code-could-talk/id386814961?mt=11
US Kindle Store: http://www.amazon.com/dp/B004CLYIP6
UK Kindle Store: https://www.amazon.co.uk/dp/B004CLYIP6


Thanks in advance.

Regards,
Emerson de Lira Espínola

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Teu passado te condena - Parte III

PARTE III

- Notoriamente não sei resolvê-la. - Falou o cientista. - Pois não tenho conhecimento para isso. Como você pode querer me crucificar por por não ter o conhecimento que você tem?

Todos ficaram calados. E continuou:

- Agora permitam-me fazer uma crítica ao tempo de vocês. Vocês acham que chegaram ao topo da tecnologia, informação e conhecimento científico? Pelo menos é o sentimento que vocês estão me passando. Infelizmente, hoje no meu tempo vejo muitos cientistas como vocês. E a prova de que meu tempo ainda tem muito a aprender são vocês aqui me mostrando o quanto o mundo avançou. Agora eu pergunto: o que os fazem pensar que vocês ainda não têm muito o que aprender?

Nesse mesmo instante, eles ouvem a campainha tocar. O cientista abre a porta e eis que entram mais três homens. Eles se apresentam como sendo sete gerações à frente daqueles três primeiros visitantes. E dirigindo-se a esses primeiros, os últimos falaram:

- Não sabiam que a comunidade científica inteira morreria se esse cientista não se opusesse àquele grupo de cientistas de meia-tijela? Não sabiam que o ser humano chegou hoje (nosso tempo mais futuro) onde chegou, porque esse cientista teve cautela à mudança? Não sabiam que não se pode ser flexível a tudo, pois tudo o que se foi construído pode virar uma bagunça? Imaginem uma casa que está sendo construída, e que a todo momento chega alguém dizendo que acha melhor fazer a base da casa diferente. Essa casa nunca ficará pronta. Hoje (no nosso tempo mais futuro) entendemos e conhecemos que ainda temos muito para entender e conhecer. Entendemos também que faltou a vocês, 7 gerações à frente desse cientista, o que nós, 7 gerações à frente de vocês, temos: "é preciso olhar para o passado e entender o seu contexto" e que o método "Ver, Julgar e Agir" tem sido uma via para o acerto das pequenas e grandes ações no mundo de hoje (nosso tempo mais futuro). Corrigimos o seu cálculo de causa-e-efeito invertido e, provendo os efeitos no nosso tempo para o cálculo, nós chegamos até o senhor como causa, causa da ciência se manter viva até hoje. E não adianta pensar que 7 gerações à frente da nossa vão achar uma falha nos nossos cálculos, pois provamos que é impossível provar que o nosso cálculo está errado.

Os três primeiros visitantes baixaram a cabeça em sinal de vergonha. E voltando-se para o cientista, os últimos visitantes disseram:

- Caro cientista, obrigado pela sua oposição àqueles que iriam destruir o nosso futuro. Agradeço a Deus por sua vida, pois somente Ele pode fazer um homem dessa época ter uma cabeça 14 gerações à frente. Mais uma vez muito obrigado!
- De nada.

E terminaram dizendo:

- Vocês três aí! Peguem sua máquina desatualizada de viagem no tempo (praticamente um museu) e dêem o fora daqui.

O terceiro visitante resmunga para os seus companheiros:

- Eu já tinha entendido tudo e vocês ficaram aí demorando e favorecendo essa vergonha.

E foram-se embora todos, deixando o cientista seguir a vida dele.

THE END.

Teu passado te condena - Parte II

PARTE II

- Vejo que com tanta tecnologia, com tanta informação, com tanto conhecimento espalhado pelo mundo de vocês, vocês não aprenderam uma coisa.
- O que o senhor sabe que nós não sabemos? - Questiona o segundo visitante. - Não dá nem para comparar o grau evolucionário do senhor com o nosso.
- Calma! - Exorta o terceiro visitante. - O que é possível o senhor saber, que não seja do nosso conhecimento ?

Então o cientista respondeu:

- Uma coisa que vocês não adquiriram no futuro foi o conhecimento do passado, do contexto em que as coisas aconteceram.
- De que serve o contexto? Fatos são fatos. - Questiona o segundo visitante.
- Acredito que vocês conheçam o método "Ver, Julgar e Agir", pois se para o meu tempo já é velho, imagina para o tempo de vocês.
- Sim! - Responderam em uníssono.
- Mas vejo que vocês só conhecem a teoria dele, e não a prática.
- Que diferença faz? Temos métodos bem mais novos e sofisticados que botam esse método "Ver, Julgar e Agir" no chão. - Repondeu o primeiro visitante.
- Bem, o que eu tenho é este método hoje. E digo a vocês que se vocês tivessem "Visto" melhor o contexto da época, vocês teriam contruído um "Julgamento" mais justo da situação e, por conseguinte tomariam a melhor "Atitude" e talvez nem teriam aparecido aqui na minha casa para me interrogar como se eu fosse um criminoso. Se vocês tivessem usado os seus métodos novos e sofisticados corretamente, deveriam ter entendido o contexto no qual eu e o mundo nos encontrávamos há cinco anos.
- Continue. - Falou o terceiro visitante.
- Eu e o mundo não tínhamos toda essa tecnologia, informação e conhecimento que vocês têm hoje. Então é muito fácil para vocês me massacrarem por uma decisão errada que eu tomei há cinco anos, pois vocês são muito mais avançados do que eu. Exagerando um pouco, mas ainda assim sendo verdade, por que vocês não vão reclamar com o cara que descobriu o fogo? Por que vocês não chegam lá pra ele e perguntam por que ele não usou a água para se aquecer, e dessa forma evitar que o meu mundo sofresse com as queimadas?
- O fogo não serve só para aquecer. - Falou o segundo visitante.
- Como eu disse: Exagerando um pouco.
- Acredito que o senhor está certo. - Responde o terceiro visitante. - Então explique o contexto.
- Nós não tínhamos tecnologia, informação e conhecimento suficientes. Nós usamos as ferramentas que tínhamos na época. Foi o que deu pra fazer. Poderia haver uma ruptura entre a comunidade científica, por conta daquele pequeno grupo. Seria melhor mantermo-nos unidos e chegarmos a uma conclusão juntos, ao invés de nos dividirmos e nos enfraquecermos. Aquele grupo tinha outras idéias, além dessa, que já tinham sido vencidas há centenas de anos por outros cientistas. Então temia que essa idéia deles fosse mais uma de suas loucuras. Eles formavam um grupo pequeno, mas bastante forte, pois tinham entre eles pessoas de grande influência na sociedade. Tive que arriscar e torcer para que o seu número pequeno valesse mais que a capacidade de influenciar que eles tinham.
- Mas não é possível que a sua época seja tão vulnerável a esse tipo de coisa, ao ponto de que colocar o ser humano em perigo. - Responde o segundo.
- Bem-vindos ao meu tempo!
- Estou satisfeito. Por mim, podemos voltar. - Fala o terceiro visitante.
- Hummm. Eu ainda tenho alguns questionamentos. - Fala o segundo visitante.
- Eu me nego a aceitar isso. O senhor não poderia ter feito o que fez. - Fala o primeiro visitante.
- Não tenho o direito de errar? Mais ainda quando não tenho as ferramentas necessárias para acertar? - Pergunta o cientista. - O que posso fazer é pedir desculpas, mas sabendo que fiz o que fiz com as limitações da época.
- Não interessa o motivo! - Reclama o primeiro visitante.
- Dê-me uma equação bastante difícil do seu tempo. - Pediu o cientista.

O primeiro visitante escreveu-a no quadro.

To be continued...