quinta-feira, 12 de abril de 2012

Anencéfalos: Quanta incoerência!

O caso do momento é se anencéfalos (pessoas sem cérebro ou sem uma parte do cérebro) devem ou não serem abortados uma vez que a expectativa de vida deles é muito pequena.

Argumentos dos mais toscos possíveis, eu tenho visto por aí. Coisas do tipo "É justo para a mãe?" (até parece que a criança é sem pai) ou "a criança vai morrer de todo jeito" (até esquecem que a criança já vinha 9 meses com vida) ou "a criança não sente nada", etc. Gente, se tem vida, e é crime matar a vida, então abortar é crime.

Vamos colocar dessa forma: Dois quartos de hospitais com duas grávidas de anencéfalo, a primeira pede que o médico mate seu filho antes que ele saia do seu ventre e a segunda pede ao médico que mate o seu filho 1 segundo após a criança sair do seu ventre, até porque matar fora da barriga deve ser mais confortável para a coluna do médico e tudo mais. Pergunto: a primeira mãe não cometeu crime e a segunda, sim? Só porque alguns centímetros de carne separam a criança do mundo exterior, o primeiro caso seria de crime e o outro, não?

E se matassem hoje a filha desse casal, que tem dois anos de idade? Eles teriam o direito de reclamar por justiça por conta da morte da filha? Ora, se é anencéfala, não importa se está dentro ou fora do ventre da mãe. Mas quem diria a esses pais que eles não teriam o direito de reclamar por justiça por conta de um assasinato? Ser a favor do aborto, só porque a criança nasceu sem (parte ou total) cérebro é voltar ao tempo de Esparta que sacrificava os defeituosos.

Mas vamos continuar. Dizem que os dias dessa criança estão contados. O que fazer então quando você recebe a notícia que seu pai está com câncer e o médico deu a ele dias ou meses de vida? Ora, nada melhor seria se você matasse seu pai, não é? Ele já viveu muito e já já vai ser corroído pela doença e é inevitável. Por que não matar seu pai? Escute! Você vai sofrer do mesmo jeito, seja matando seu pai agora, seja esperando ele ser definhado pelo câncer. Então mate ele logo para aliviar o SEU sofrimento. E ele? Ele quer ir embora agora? Provavelmente não. Só que seu pai pode falar isso pra você. O anencéfalo, não. Já sei porque você não o quer matar. É que você já criou vínculo com ele. E se isso é verdade, é verdade que seu vínculo com seu pai é bem mais forte do que o vínculo com o bebê anencéfalo, e se o bebê, que não pode falar, é tratado assim, a tendência é que ele seja mais visto como objeto inanimado, quando na verdade NÃO É. Pegue um bebê anencéfalo e pegue um copo e me diga qual dos dois se mexe sem que você mova um dedo.

Perceba que a pergunta "É justo para a mãe?" está sempre vindo de um pensamento egocentrista. Isso mostra a incapacidade da mãe de sair de si e ir na direção de quem mais precisa dela. Você que faz essa pergunta, responda-me essa: "Por que é injusto para a mãe?" ou essa "É justo para a criança?". Se você usa a palavra "justo" eu pergunto: "Que JUSTIÇA você está fazendo à mãe ao abortar a criança?" ou ainda "Que JUSTIÇA você está fazendo à criança?". Aguardo respostas nos comentários desse blog.

Só me vem uma explicação: a incapacidade do ser humano de lidar com o sofrimento. Ninguém gosta de sofrer, mas como diz Santa Terezinha: Sofrer é ruim. Bom é ter sofrido. E nesse mundo, não nos iludamos: todos vamos sofrer. Pode correr com medo do sofrimento o tempo que for, uma hora ele te acha. O importante é sabermos dar um SENTIDO ao sofrimento. Não fugir do sofrimento, mas acolhê-lo e superá-lo. Ninguém é masoquista pra correr atrás de sofrimento, não.

Os pais, acima citados, decidiram acolher o sofrimento e amar a menina, e são felizes por isso. A felicidade deles não brota da ausência de sofrimento, mas da capacidade de depositar amor o tempo todo na vida da menina. Mas nem todo mundo é assim, Emerson! Eu sei, mas porque não pensamos em dar suporte para esse sofrimento, ao invés de eliminá-lo cedo. "O sofrimento da mãe pode e deve ser mitigado pela medicina, a psicologia, a religião e a solidariedade. Além disso, é um sofrimento circunscrito no tempo; mas a vida do bebê, uma vez suprimida, não pode ser recuperada; e também a dor moral decorrente de um aborto decidido pode durar uma vida inteira. Além do mais, o alívio de um sofrimento não pode ser equiparado ao dano de uma vida humana suprimida". E a essa frase de cima eu acrescentaria o sofrimento do pai.

Por fim, gostaria de pedir que você assistisse ao voto de Cezar Peluso (Presidente do STF). Ele fala muita coisa que eu escrevi aqui, mesmo sem eu ter visto esse voto dele antes.


Fico admirado por saber que alguém ouviu isso tudo o que ele falou e não mudou de opinião.

[]'s
Emerson de Lira Espínola
 

quinta-feira, 8 de março de 2012

A gente só ama o que a gente conhece


Texto grande, mas vale a pena ler.

"Meu povo se perde por falta de conhecimento" (Os 4, 6). Essa foi a frase que o profeta Oséias usou para dizer que não havia "sinceridade nem bondade, nem conhecimento de Deus na terra" (Os 4, 1). Podemos dizer que hoje ainda tem muita gente no mundo que não tem o conhecimento de Deus: uns porque não foram alcançados ainda, outros porque simplesmente se esquivaram desse conhecimento. Esse post tem foco naqueles que se esquivaram de conhecer Deus, Suas palavras, Seus ensinamentos, Sua história de amor com humanidade e com a Igreja.

É impressionante como essas pessoas teimam em falar da Igreja e da sua horripilante história de pecados e é impressionante como essas pessoas não dão o direito da Igreja se defender. As informações que essas pessoas aprendem geralmente vem dos meios de comunicação de massa, muitas vezes criticados por essas mesmas pessoas quanto à veracidade e sensacionalismo das informações. Abrem-se para o que qualquer TV ou Jornal diz. Não querem aprender e não querem saber o outro lado da moeda. Se afastam da Igreja porque é fácil dizer: a Igreja é uma &%$#@ e eu não. Justificam sua ausência na Igreja por conta dos seus erros. O que tem de fácil para dizerem isso, tem de difícil para deixarem a Igreja dialogar. Não dão espaço pelo menos para que a Igreja diga: "Eu errei, mas não foi assim como tão dizendo, ok? Ouça a minha versão!", ou pelo menos para que a Igreja diga: "Eu não fiz isso o que estão dizendo", ou pior ainda: "Eu fiz exatamente isso. Perdoe-me!". Digo pior, pois pedir perdão a quem não fez experiência de perdão é complicado.

Certa vez (há quase 10 anos) em uma conversa desse nível com colegas de trabalho, um deles disse: "A Igreja fez isso, e isso, e aquilo, e mais isso, e ...". Fiquei calado e quando ele terminou falei: "Cara, isso tudo o que você falou é novidade para mim, pois confesso minha limitação com a disciplina de História, mas eu conheço um cara que sabe bem essa parte histórica da Igreja. Quer conversar com ele?". Eis que ele, depois de alguns poucos segundos de silêncio, responde: "Eu não sei se eu quero mundar minha opinião".

Toda vez que eu me lembro dessa resposta eu preciso de um tempo para pensar. Por isso peço alguns segundos seus para pensar. Volto já.

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Voltei. É a mesma coisa de pedir ajuda a alguém com um problema de matemática e dizer para a pessoa que você não quer que ela ensine do jeito dela. Enfim, por conta disso tudo, não importa o que a Igreja tenha feito de bom (e diga-se de passagem foi muita coisa), o rótulo de bruxa malvada vai permanecer na cabeça dessas pessoas. Por exemplo, estava outra vez (dessa vez mais recente: 2011) em outra conversa sobre Igreja com colegas do trabalho. Eis que um deles falou, e falou, e falou, e falou tudo de ruim que a Igreja fez. Eu cheguei pra ele e falei: "Eu sei que a Igreja errou, mas não acho que foi assim como você tá dizendo. Mas mesmo que fosse, o Papa João Paulo II pediu perdão público pelos pecados da Igreja. O camarada me respondeu que não dava pra perdoar. Foi quando falei: "Você falou tudo o que a Igreja fez de ruim. Agora me fale o que a Igreja fez de bom". Rapaz, o cara começou a gaguejar e disse: "Essa questão da oração, de colocar o ser humano em contato com Deus". Pensei comigo mesmo na hora: a oração é a resposta dele? Só isso?

Mais uma vez eu peço alguns segundos para respirar um pouco, pois sempre que lembro dessa resposta eu penso o mesmo que pensei na hora do evento.

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Essa mesma Igreja de pessoas pecadoras, que faz tudo isso o que você disse, ou até pior, é a mesma Igreja que faz muitas coisas maravilhosas, é a mesma Igreja de São Francisco, Santa Teresinha, São José de Cupertino, Beato João Paulo II, ... Enfim, mas como a inteção aqui não é defender a Igreja, mas falar da falta de conhecimento de Deus, voltemos ao assunto.

Percebo que essas pessoas aversas ao que Deus tem feito, falado e ensinado através da Igreja todos esses anos são pessoas que não gostam de ser moldadas. Se elas fossem árvores, seriam árvores que querem crescer do jeito que bem entendem e não querem ser podadas para se tornarem árvores bonitas. Elas morrem de medo de que Deus, usando-Se de pessoas pecadoras (às vezes mais que elas), peça para que elas mudem. Se aceitarem tal invasão, se sentem como imbecis e alienados que têm suas vidas adestradas pelos outros espertos e &%$#@ como chamam. Para quem não sabe, a correção fraterna é vivida na Igreja desde longos tempos. Não é de hoje. E nessa Quaresma o Papa Bento XVI, em sua mensagem para a Quaresma de 2012, alentou os católicos a recuperarem a correção fraterna porque diante do mal não devemos ficar calados.
Então o que resta a esses que se fecham para a Igreja? Ou procuram outra religião, ou vão se autodenomiar agnósticos ou ateus. Falo aqui de forma geral, pois é difícil falar de cada caso, ok? Cara... Na boa... Tem gente que se diz ateu, porque é mais cômodo, quando na verdade é preguiça de adquirir conhecimento. Quer ser ateu? Seja! Mas seja sério. Certa vez vi um vídeo em que o Dr. Dráusio Varela falava sobre sua opção pelo ateísmo, mas quando foi falar da Igreja ele falou as palavras que a Igreja fala e no final e discordou do ponto de vista da Igreja. Isso é um ponto de vista sério daquele que não crê. Mas o que se vê por aí é dizer que não se crê, porque a Igreja diz isso ou aquilo, quando na verdade ela não diz.

Hoje, se a Igreja fala alguma coisa, reclamam. E se não fala, reclamam também, como foi o caso do Papa Pio XII. E aqui é um excelente exemplo do que venho falando esse post todo. Muita gente espalha a informação de que o Papa foi omisso durante o Holocausto. "Falando do Papa Pio XII, o mais importante perito sobre o Holocausto na Hungria, Jeno Levai, declarou que foi uma ironia 'especialmente lamentável que a única pessoa em toda a Europa ocupada que fez mais que qualquer um para frear o terrível crime e mitigar suas consequências, se tenha convertido hoje em dia no bode expiatório dos fracassos dos demais'", ou seja não foi um zé ninguém que falou isso. Mas quem sabe? Quem? Levanta a mão aí? Ou quem não sabe, mas procurou saber? Quem? Alguém?

Para quem quiser ler mais um pouquinho sobre esse assunto, seguem os links:
É o que eu costumo dizer: se o camarada não quiser acreditar, ele não acredita. Pode vir o sacerdote Giancarlo Centioni (do terceiro link acima) e dizer: "Eu estava lá e ajudei no plano do Papa para salvar os judeus", mas se o cara não quiser acreditar, ele não acredita e vai duvidar até a morte. Assim como tem gente que não acredita que o homem pousou na lua ainda hoje, tem gente que acha que Igreja é a mesma de 500 anos atrás. Tô falando sério. Acreditar é uma decisão.
Galera, amigos, amados de Deus, se você teve paciência de ler o post até agora, aqui vai o recado pra você: a gente só ama o que a gente conhece. "Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto" (Mt 7,7). Busquem conhecer e vocês vão conhecer. Fico feliz por poder testemunhar isso na minha vida, pois logo quando comecei minha caminhada com Cristo, eu sentia medo de questionar, pois não queria perder minha fé. Mas num belo dia de oração pessoal, Deus me disse que eu não tivesse medo de questionar, pois Ele não iria me decepcionar. E posso dizer que cada vez mais que eu conheço eu amo mais. Outro testemunho a dar é de um amigo do trabalho. Várias vezes falei para ele que a gente só ama o que a gente conhece. Até que um belo dia, em São Paulo, quando ele foi ao show do U2, uma pessoa fantasiada de Espírito Santo, repito Espírito Santo, entregou um papelzinho a ele, e quando ele abriu o papel estava escrito: a gente só ama o que a gente conhece. Só faltou Deus desenhar, né? Mas como eu disse: Acreditar é uma decisão. Se ele quiser ele duvida até disso. Eu não.

E aqui fica uma dica final que tem me ajudado MUITO na minha vida cristã. O catecismo, no parágrafo 2518 alerta para a sexta bem-aventurança que diz que os puros de coração verão a Deus. Logo em seguida ele fala de como conseguir a pureza de coração assim: Os fiéis devem crer nos artigos do símbolo, "para que, crendo, obedeçam a Deus; obedecendo, vivam corretamente; vivendo corretamente, purifiquem seu coração; e, purificando o coração, compreendam o que crêem". Às vezes a gente não entende, porque nosso coração não está puro. E se não estiver puro como pode compreender as coisas do Alto?

Comece crendo, e não compreendendo. Comece com essa decisão de crer. Até agora, Deus não me decepcionou.

A gente só ama o que a gente conhece, galera.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Faço ou não faço? Faço!


Um belo instante na Eternidade (que não tem instante, pois é Eternidade), Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo conversam antes de fazerem o homem.

- Vamos fazê-lo à nossa imagem e semelhança?
- SIM!
- CLARO!
- Mas como somos o Deus Uno e Trino e somos Oniscientes, sabemos que ao darmos ao homem o livre arbítrio, ele vai se rebelar contra nós.
- Muitos deles não vão nem acreditar em nós.
- Muitos vão perseguir aqueles que confiarão em nós.
- Eu mesmo terei que ir visitá-los e mostrá-los nossa face.
- Eu falarei com eles até o momento em que você for, para preparar o caminho.
- Mas sabemos que eles irão te tratar como um amaldiçoado e não vão reconhecer tua natureza Divina.
- Mesmo assim atrairei muitos para Nós e em seguida envio Você para revelar-lhes toda a Verdade que eles vão ter no meio deles, mas não vão entender.
- Mas não tem problema se muitos não vão acreditar. Nós faremos o sol nascer para eles também, e sempre esperaremos que eles voltem seus corações para nós.
- Faremos o homem porque queremos compartilhar com eles a nossa Alegria perfeita, mesmo que muitos deles não nos conheçam, não nos queiram por perto, não nos agradeçam pelos nossos benefícios, não percebam nas pequenas coisas nossa sábia mão agindo.
- Queremos dar-lhes tudo de nós: o AMOR, ou seja, nós mesmos.
- Sem nós eles não são nada, por isso queremos que eles nos conheçam.
- Sonhei com isso.
- E por tudo isso, "façamos o homem à nossa imagem e semelhança".

Eita AMOR do "pipoco"!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

As preocupações me perseguem


A história a seguir é divertida, mas bem atual na vida de muitos. O seu desfecho é a minha sugestão para vencer as preocupações que caminham do nosso lado 24 horas por dia. O texto parece longo, mas é rápido de ler, pois tem muito diálogo curto.

Se você tem muita preocupação na cabeça, vale à pena conferir essa história.

Enfim, segue a história:

O cara está trancado no seu quarto lendo a Bíblia e encontra a passagem de São Paulo aos Filipenses, Capítulo 4, do Versículo 6 ao 8, que diz assim:

Não vos inquieteis com nada! Em todas as cincustâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus. Além disto, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar os vossos pensamentos.

E pensa consigo mesmo (com aquele ar de “a ficha caiu”):

- Caramba! Devo apresentar a Deus minha preocupações através da oração, súplica e ação de graças, e a paz de Deus vai guardar meu coração e meus pensamentos! E tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, boa fama, virtuoso e louvável é o que deve ficar no lugar das preocupações. Já sei o que vou fazer.

Enquanto isso do outro lado da porta estão todas as preocupações desse cara (todas elas personificadas) com os ouvidos e olhos colados na porta. E elas comentam entre si:

- Ele ainda tá falando?
- Acho que não. Não ouço nada.
- Será que ele vai demorar pra sair daí? Tenho que lembrá-lo de alguns probleminhas da Vida dele.

Nesse momento o cara fecha a Bíblia e se dirige à porta do quarto. Eis que uma das preocupações (que estava olhando por debaixo da porta diz):

- Silêncio! Acho que ele está vindo! Tô vendo os pés dele vindo na direção da porta.
- Tem certeza que são os pés dele? Da outra vez você disse a mesma coisa, mas na verdade eram os pés do robô “Faz tudo da Estrela” que ele ganhou no…

Ainda falava essa “preocupação” quando o cara abre a porta. Resultado: todas as suas preocupações caem nos seus pés.

- Vocês de novo?! - Esbraveja o cara. - Deixem me em paz.

Então foram aos poucos se levantando e as preocupações começaram com o falatório:

- Eu tô querendo te ajudar a você não perder seu emprego, e você me trata assim? - Sente-se ferida a preocupação com o Trabalho. E continuou: - Você tem que me ajudar a te ajudar, entendeu?
- Não entendi nada! - Responde o cara.
- Essa nem eu entendi. - Comenta a preocupação com a Saúde.
- Saiam da minha frente, que eu preciso sair! - Fala o cara, abrindo caminho com as mãos.

E caminhando, ele continua ouvindo as preocupações seguindo seus passos:

- Mas onde você vai? Tem muitos perigos aí do lado de fora. - Falou a preocupação com a Vida. - Muitos assaltos, muita morte. É melhor você ficar em casa!
- A preocupação com a vida está certa. Como vai ser a vida da sua família (esposa e filhos) se acontecer algo de ruim com você? - Pergunta a preocupação com o Futuro.
- Ai ai ai ai ai! Se você for demitido por chegar atrasado no trabalho mais uma vez, como você vai se sustentar? - Agora a preocupação com o Dinheiro se desespera. - Como você vai sustentar sua família?
- Aproveito a “deixa” (o gancho) da preocupação com o Dinheiro pra perguntar como você vai comprar remédios para sua mãe que está no hospital? - Foi a vez da preocupação com a Saúde. - E como vai pagar as parcelas atrasadas do Plano de Saúde.
- Pera aí, pessoal. - Falou a preocupação com a Auto Imagem. - Vocês não estão vendo que estão tirando o foco da vida do cara?

As outras preocupações baixam a cabeça como sinal de vergonha, e ouvem a preocupação com a Auto Imagem continuar seu discusso.

- Desse jeito ele não vai ter tempo nem pra malhar pra perder esses pneus aí. Cara, você tá parecendo o bonequinho dos pneus Michelin. Se continuar nesse ritmo, sua esposa vai te deixar, vai ficar cansado com o peso, por consequência você não vai conseguir produzir da mesma forma que produzia antes, daí você vai ser demitido, e vai acontecer o que as outras preocupações estavam falando até agora. Você tem que manter o foco na sua Auto Imagem.

Então todas as outras preocupações perceberam que a Auto Imagem estava querendo ganhar o cara, e voltaram à discussão.

- Tempo é mais importante, pois não sabemos o que será do nosso Futuro.
- Quero ver você passar o tempo sem Dinheiro. Num instante você morre.
- Quero ver dinheiro sem Trabalho.
- Pra que dinheiro? Pra chamar o ladrão para tirar a sua Vida? Até prestes a morrer o dinheiro não pode fazer nada.
- Por isso tem que tomar cuidado com a Saúde desde hoje.
- E cuidado também com a Auto Imagem, pra garantir que isso tudo aí que vocês disseram não vai acontecer.

O cara não aguenta e grita:

- CALEM-SE! Vocês falam demais e não deixam que em meus pensamentos aja tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, boa fama, virtuoso e louvável. Vocês fazem muito barulho na minha cabeça, de forma que eu não consigo ouvir nem a mim mesmo. Hoje vou dar um jeito em vocês todos.
- Como assim um jeito? - Questiona, a preocupação coma Vida.
- Nós só queremos ficar em Paz, sabendo que você está tomando conta da gente. - Falou a preocupação com o Futuro.
- E tendo tudo resolvido, você também fica am Paz, cara. - Se justifica a preocupação com a Auto Imagem.
- Até parece! Toda vez que eu olho pra vocês, vocês só ficam mais agitadas. Pois bem, todos nós precisamos de Paz. Descobri um jeito de trazer Paz para vocês e para mim. - Fala o cara.
- E como é? - Pergunta a preocupação com a Saúde.
- Eu aposto que tem dinheiro na jogada. - Se mete na conversa a preocupação com o Dinheiro - Só o dinheiro pra trazer a Paz.
- Cala a boca! - Exclama a preocupação com o Trabalho. - Deixa o cara mostrar primeiro pra depois você falar.
- Silêncio. Estamos chegando! - Fala o cara.

Assim todos eles vão se aproximando de uma Igreja.

O cara diz a todos eles:

- Fiquem aqui e só entrem quando eu mandar. E de uma por uma.
- OK! - Responderam as preocupações.

O cara entra na Igreja, aproxima-se do Santíssimo (Jesus Eucarístico), ajoelha-se diante dele, faz o Sinal da Cruz, respira fundo e começa a seguinte oração:

- Até hoje, Senhor, não sabia o que fazer com minhas preocupações, mas hoje quando li Fl 4, 6 - 8 descobri o que fazer para me livrar delas e alcançar a Paz. Por isso quero, por essa oração, te entregar meu Trabalho e seus stresses, os riscos que minha Vida corre, os problemas de Saúde da minha mãe, bem como a Saúde do meu corpo também, a falta de Dinheiro, os maus pensamentos a respeito do Futuro, e falsa vontade de agradar aos outros com medo que minha Imagem fique queimada diante deles.

E foi chamando uma por uma para se chegarem diante do Senhor, a começar pela preocupação com o Trabalho.

Chegando ela diante do Senhor, permanaceu de pé e totalmente relaxada. O cara olha pra ela (de baixo para cima) e pergunta:

- Você tem algum problema no joelho?
- Não!
- Tá cansada?
- Não!
- Então se ajoelhe!
- Por quê?
- Sabem quem está aqui na minha frente?
- Não!
- Jesus Cristo, Reis dos Reis e Senhor dos Senhores.
- Caramba! Sério?! Isso tudinho aí dentro dessa caixinha?
- Sim.
- Claro! Claro! - E se ajoelhando continua - Mas me diga uma coisa.
- Pois não.
- Ele pode te ajudar com os problemas no Trabalho? Tipo assim: resolver, superar.
- Pode. Ele pode tudo.
- Então por mim tá valendo. - E hesitando pergunta novamente: - Ele pode tudo, tudo, tudo mesmo?
- Pode.
- Então Jesus, eu vou ficar com o Senhor aí dentro. Pode ser?

Então aparecem duas mãos de dentro (pode ser de lado também) do Santíssimo fazendo sinal de chamado, como se estivesse dizendo: “Vem!” A preocupação com o Trabalho se levantou e andou na direção do Santíssimo e sumiu.

E o cara olha pra Jesus e diz:

- Obrigado, Jesus, pois sei que o Senhor vai tomar conta e me ajudar a superar todos os problemas que me aparecerem.

Nesse instante todas as outras preocupações que ficaram do lado de fora ficaram com medo, e nenhuma delas queria entrar mais. Ficavam empurrando umas às outras para entrar. E diziam entre si:

- Vai você!
- Eu não, vai você!
- Eu não, vai tu só!
- Eu só vou se você for!
- E eu só vou se você for!

Então o cara chamou todas as outras preocupações uma por uma, e o mesmo ritual que aconteceu com a preocupação com o Trabalho, aconteceu com as outras preocupações.

À cada preocupação que ia embora, seu coração ficava mais leve. E antes de ir embora agradeceu a Jesus dizendo um LEVE, PACÍFICO e PROFUNDO:

- “Muito Obrigado, Senhor”!

Sim! Verdadeiramente esse cara saiu daquela Igreja com o Sorriso de Deus nos lábios e no coração.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Síndrome de (1 / Peter Pan)


O Dr. Dan Kiley escreveu em 1983 um livro chamado The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up, ou seja, Síndrome de Peter Pan: Homens que nunca cresceram. O livro fala que muitos homens têm problemas ao lidarem com responsabilidade, e, em virtude disso, comportam-se como crianças.

Mas esse post é para falar da recém criada (right now) Síndrome do Inverso de Peter Pan. É a síndrome que ataca aquelas pessoas que se tornaram adultas e não conseguem mais voltar a ser crianças, pois seus corações já não as permitem sentir as mesmas sensações que uma criança sente, como: medo, insegurança, vontade de chorar; e outras como: conforto por ter um pai e uma mãe. Longe de mim comparar essas duas síndromes. Até porque a primeira foi só o gancho para essa que eu acabei de criar.

Muitas pessoas crescem e se tornam adultas que não são capazes de expor seus sentimentos. Elas não conseguem dizer para outro adulto que estão com medo.

- Medo de quê?

Isso é o que diria outro adulto para ele (o medroso). Ora, medo do desconhecido, do novo. Quem sofre dessa síndrome, depois que chega à fase adulta, não consegue mais assumir que não sabe de algo, que não é tão corajoso o quanto se mostra ser, que não é um poço de seguranças e, que às vezes sente voltade de chorar. Nessa fase o adulto já esqueceu dos braços do pai e da mãe.

Aprendamos que, todos os dias, novos desafios nos são dados e que não há mal algum em sentir medo e dizer que não sabemos resolver os problemas, pois nunca nos deparamos com eles até o presente momento. Ora, se você nunca se deparou com esse problema ou desafio, você não sabe resolvê-lo de imediato. Você vai por indução, pelo tato, pelos histórico de problemas parecidos que você resolveu no passado, mas a solução de imediato, na lata, você não tem.

Tudo isso para dizer que somos sempre crianças, pois sempre temos algo novo para conhecer. E como o desconhecido às vezes causa medo, sentiremos medo sempre. Mas existe uma diferença entre a eterna criança e o adulto portador da síndrome: a criança encara as novidades com confiança nos pais, enquanto o adulto não assume que não sabe ou que tem medo e fica (mesmo sem saber ou com medo) travado na resolução do problema. Não digo que ele não consiga resolver o problema depois, mas vai gerar muito mais desconforto nos que o rodeiam e vai gerar muito mais confusão do que a criança que sabe que os pais estão ali para ajudá-la nessas horas.

Termino dizendo que onde você estiver: casa, escola, universidade, trabalho, festa, ... não seja um adulto com essa síndrome, mas seja uma eterna criança que confia em Deus para ajudá-lo a superar seus próprios limites. E não se preocupe, essa criança não tem nada a ver com o Peter Pan do Dr. Dan Kiley do começo do texto.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Orgulho no trabalho


Tem gente que é tão orgulhosa que não consegue servir ninguém, pois se sente o besta, o otário, o leso, o submisso, o sem autonomia, o inferior. Mas tem gente que é tão orgulhosa, mas tão orgulhosa, que não consegue ser servida por alguém (considerada) "inferior" a ela.

Agora levemos essas pessoas para o ambiente de trabalho. Aquele que não consegue servir afeta o trabalho dos outros, pois não entende que o conhecimento que ele tem pode ajudar o outro a resolver os seus problemas. A pró-atividade desse sujeito é toda voltada para ele. Ou seja, o cidadão faz questão de se tornar uma ilha dentro da empresa.

A outra figura, o do que não sabe ser servido por "seres inferiores", está criando uma barreira para o conhecimento de outras pessoas chegar até ele. Como ele as considera "seres inferiores", imagina que não pode vir nada de bom deles. E os que são vistos como "inferiores" não ganham espaço para mostrarem que não são. Não é possível que sejamos melhor em tudo que os outros. Sempre tem alguém, até mesmo um "inferior", que tem algo melhor que nós, e nisso precisamos aprender com eles. A área de inteligências múltiplas têm mostrado que existem vários tipos de inteligências.

É nesse momento em que a pessoa começa a se desfazer do orgulho e vai dando lugar para a humildade, e assim começa a enxergar todos sem distinção. Para aquele que deixou a humildade render o orgulho, ninguém é melhor que ninguém e todos são iguais.

Um orgulhoso não consegue ajudar ninguém nos seus problemas diários do trabalho. O outro orgulho acha que seus problemas laborais são impossíveis de serem resolvidos por pessoas rotuladas como fracas. O humilde quando é ajudado, aprende e resolve seus problemas mais rápido, pois o quanto antes já está trocando idéias; e quando ele ajuda, reforça o conhecimento que já tem, e propaga o conhecimento para outros.

Todo mundo enfrenta problemas no trabalho. Felizes os que entendem que podem encontrar respostas para esses problemas nos outros.

[]'s
Emerson de Lira Espínola
 

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Não tem quem me explique

É cada uma que aparece por aí, que a gente não sabe se ri ou se chora.

O jornalista americano A.J. Jacobs, agnóstico, fez uma lista de 72 páginas com mais de 700 regras, do Gênesis ao Apocalipse, de como o homem deve viver. Jacobs decidiu que passaria um ano vivendo de acordo com os preceitos bíblicos, interpretando sozinho as escrituras. O resultado disso ele colocou no livro "The Year of Living Biblically" ou “O ano em que vivi Biblicamente”. É uma notícia antiga essa. Já tinha ouvido falar, mas hoje foi quando a li na íntegra. Um ponto a ressaltar é que a notícia é da Superinteressante, então temos que dar um desconto grande para as palavras que estão escritas lá.

Mas o que quero ressaltar aqui é a leitura ao pé da letra da Bíblia, que a notícia quer focar. Li toda a notícia, e gostei da conclusão de que não se deve ler a Sagrada Escritura ao pé da letra, até porque tem livros que foram escritos há 3 ou 4 mil anos antes de Cristo. Só pode ser brincadeira o cara ler ao pé da letra hoje. Se na época de Jesus já não se podia ler ao pé da letra, imagine hoje. Tem posts meus, aqui nesse blog, que usam a linguagem de hoje, mas mesmo assim não podem ser lidos ao pé da letra, pois fiz questão de escrever com símbolos, imagina algo escrito há 5 mil anos atrás, em outro contexto e época?

Podemos ver isso em At 8, 30 - 31: "Filipe aproximou-se e ouviu que o eunuco lia o profeta Isaías, e perguntou-lhe: Porventura entendes o que estás lendo? Respondeu-lhe: Como é que posso, se não há alguém que mo explique? E rogou a Filipe que subisse e se sentasse junto dele". Ou ainda na carta de Pedro em II Pe 3, 16 quando ele fala dos escritos de São Paulo: "Nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras". E continua explicando como devemos fazer nos versículos 17 e 18: "Vós, pois, caríssimos, advertidos de antemão, tomai cuidado para que não caiais da vossa firmeza, levados pelo erro destes homens ímpios. Mas crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele a glória agora e eternamente". Devemos sempre lembrar o que Pedro falou em II Pe 1, 20: "Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal".

Só um detalhe que achei que foi mal colocado na notícia foi quando o autor fala que os cristãos ignoram muito do antigo testamento. Pelo menos os católicos não ignoram o antigo testamento, pois o antigo testamento explica e prepara para a vinda de Jeus. Nós dizemos que o antigo testamento deu ao novo testamento o seu lugar, mas não ignoramos ele. Até porque muita coisa que Jesus fala só entendemos depois que lemos o antigo testamento. Um exemplo simples é quando Jesus tá na cruz e fala: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?", o entendimento disso sozinho é uma coisa, mas quando lemos o Salmo 21, que foi escrito há uma porrada de anos antes de Jesus, entendemos outra coisa desse momento de Jesus na Cruz.

Agora o tal do Jacob foi mala. Não era pra ter interpretação do rabino lá, não. Num era pra ser ao pé da letra? Deu uma escapada da mutilação da mulher e da dele também, pois no que tange aos pecados dele, ele deveria arrancar o olho ou cortar a mão. Quando o negócio apertou, num instante veio a interpretação, né? Bonito demais. :)

Pelo menos o cara conclui dizendo que a Bíblia mudou a vida dele. :)

Por fim, repito o que sempre digo: A gente só ama aquilo o que a gente conhece. Não dá pra amar o que a gente não conhece. Aí complica!