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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A fama da morte

Não sei de onde vem essa idéia do ser humano ser valorizado depois da morte. Talvez seja a vontade do homem de eternizar as coisas e as pessoas. Talvez seja saudade do Eterno.

Mas enfim, Biografia de Steve Jobs (que ainda vai chegar em Novembro nos EUA) teve aumento de 42.000% nas vendas. O que leva um livro sair da posição 424 para a posição 1, na maior loja online do mundo, a Amazon? Do dia pra a noite: POW. Steve Jobs estava doente, isso todos sabem, mas bastou ele fechar os olhos para esse mundo que o livro de Walter Isaacson sofreu uma alteração mais que exponencial de solicitações de compras por parte de amantes, curiosos, críticos da figura de Steve. Link da notícia aqui.

Aconteceu isso também com Michael Jackson, que tinha músicas ainda não gravadas. Ayrton Senna também não ficou de fora. Bastou ele morrer no acidente que era capacete pra cá, livros pra lá, ... Sem mencionar das histórias de pintores que ficaram famosos depois de suas mortes.

Fico me questoinando se esse comportamento súbto de exaltação às pessoas que morreram é algo salutar ou não. Se por um lado o legado dessa pessoa é algo bom para os que ficam por aqui, por outro lado passa a idéia de que para ser famoso é preciso morrer. Aquelas almas carentes de amor e que buscam, sem perceber, se alimentar de fama e sucesso, ao invés do amor, podem receber a mensagem de que na hora em que elas morrerem, sua alma será preenchida com essa necessidade.

No caso daquele jovem que entrou na escola do Rio de Janeiro e atirou nas crianças e depois se matou, uma psicóloga falava que de tanto a imprensa focar no assassino, a mensagem que poderia passar para essas pessoas era a de "seu eu quero chamar a atenção então eu faço isso". E ela chamava a imprensa a focar nos policiais que acertaram o jovem. Não consegui achar o vídeo dessa psicóloga falando, mas se alguém achar, pode postar aqui.

Eu sei que são dois casos diferentes, mas minha questão não é sobre os casos em si, mas como as pessoas se comportam diante desses casos.

Enfim, não sei o que tem de ruim e de bom nesse comportamento, os pscólogos amigos me ajudem a responder, mas posso dizer que um comportamento interessante seria o de valorizar quem nós temos desde agora. Isso não impede de continuar dando valor depois da morte, mas comecemos agora. Se você tem alguém: pai, mãe, irmãos, parentes, namorada, noiva, esposa, amigos, colegas, ...; busque valorizar o que essa pessoa É para você, e não o que ela TEM ou FEZ para você. Diga pra ela que ela tem valor pra você, valorize-a, e não espere a irmã morte vir dar seu abraço acolhedor nessa pessoa, para só assim você reconhecer o valor que essa pessoa tem.